O Brasil pode voltar a ser o maior exportador mundial de borracha. Tecnologias desenvolvidas por institutos de pesquisa garantem a produção de mudas clonadas com qualidade e produtividade. Para o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Jomar da Paes Pereira, a ampliação da cultura no Estado depende apenas de ''vontade política''.
O potencial de produtividade do Paraná viabiliza o cultivo superando até mesmo os subsídios dos países asiáticos (Tailândia, Indonésia e Malásia) que hoje lideram a produção mundial. Jomar destaca que, o consumo mundial é de cerca de 7 milhões de toneladas. Analistas de mercado apontam, para 2020, um déficit de 2 milhões de t do produto.
O pesquisador afirma que tanto o clima quanto o solo são favoráveis ao cultivo, indicado como mais uma opção na diversificação das propriedades agrícolas. ''Temos conhecimento técnico e tecnologia para o cultivo da seringueira, tanto para pequenos como para grandes produtores'', garante.
As áreas preferenciais para o cultivo da seringueira no Paraná, de acordo com as pesquisas conduzidas por Jomar, estão nas regiões Norte, Noroeste e Oeste, onde a média de temperatura é de 20 graus. O plantio também pode ser feito numa pequena faixa do litoral, mas apenas com clones vindos da amazônia que são mais resistentes à doenças. Jomar esclarece que nas demais regiões as características climáticas (verão quente e chuvoso, inverno frio e seco) impedem o desenvolvimento da principal doença da árvore: o mal sulamericano das folhas.
Na região do arenito, no noroeste do Estado, Jomar considera os seringais muito mais viáveis do que a soja (cultura em expansão na região e que recebe diversos incentivos). ''Esse tipo de solo é erosível e por isso precisa de plantas que lhe garantam proteção e não exploração'', critica.
O Paraná já teve uma área de 2,5 mil hectares. Hoje, ela se resume a 1 mil ha cultivados na região noroeste. A maior parte é cuidada por pequenos produtores. Em Paranapoema (120 km ao norte de Maringá), a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, é responsável por 400 hectares de seringais.
A cultura chegou no Estado por volta de 1990, lembra Jomar, quando agricultores do Noroeste, vendo o sucesso dos seringueiras do Estado de São Paulo, investiram no cultivo em substituição à cafeicultura. Mas houve erro na condução do plantio. A boa produtividade da seringueira, de acordo com o pesquisador, depende da qualidade da muda que deve ser produzida por enxertio de plantas clonadas.
Naquela época houve muitos produtores que, diante da dificuldade de preparar os enxertos, técnica que dependia de mão-de-obra vinda de São Paulo, plantaram os ''cavalinhos'' (mudas feitas com sementes). ''Há uma grande variabilidade na evolução do crescimento e da produção dessas plantas que inviabilizam a rentabilidade'', explica.
O Iapar possui um jardim clonal e os enxertos são retirados de gemas dessas plantas. As mudas são colocadas em tocos de seringueiras produzidas a partir de sementes.
O pesquisador destaca que, apesar da viabilidade econômica da cultura, a ampliação da área de cultivo no Estado, enfrentaria a falta de mudas. ''Precisamos de recursos para ampliar a infra-estrututa botânica (viveiros e jardins clonais)''.
O Brasil já foi o primeiro e único produtor e exportador mundial de borracha natural. Hoje, o País importa 63% do seu consumo interno. A produção nacional, atualmente, representa apenas 1% do que é produzido no mundo.
A produção da borracha no País, diferente do que ocorreu no final do século 19 e início do século 20 (época do chamado ''ciclo da borracha''), não vem só da extração nativa da região amazônica. São Paulo é hoje o principal produtor, com uma área de 52 mil hectares de seringueiras plantadas.
Essa produção garante apenas 37% do consumo, concentrado, especialmente, nas indústrias pneumáticas. O restante é importado dos países asiáticos que respondem hoje por 6 milhões de toneladas da demanda mundial.

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