Seringueira é legal e gera renda
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de março de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Onde havia café, existem agora árvores altas e frondosas. A terra que antes precisava de dezenas de mãos para plantar, cuidar e colher, necessita agora de apenas uma ou duas pessoas para dar conta de todo o processo. Há 19 anos, o agricultor Nício Otani, de Alto Paraná, região noroeste do Estado, 'abandonou' o cafezal e decidiu apostar no seringal. Substituiu uma cultura conhecida e tradicional na região por uma ''aventura'', já que seringueiras eram - e ainda são - pouco conhecidas como atividade agrícola. A troca, ousada, apresenta resultados positivos e tem deixado o produtor feliz da vida.
Debaixo da sombra formada por mais de 2 mil seringueiras, na propriedade de quase 5 hectares, o heveacultor - nome que se dá a quem produz seringueira - conta que a decisão de substituir as lavouras foi tomada porque o café já não andava muito bem. ''Vi em uma reportagem na TV um produtor falando sobre a cultura da seringueira, ele dizia que era imbatível. E eu me empolguei'', relembra Otani.
O produtor, então, foi atrás de informações sobre a cultura e investiu tempo e recursos para dar início ao novo negócio. As mudas foram plantadas®MDBO¯ ®MDNM¯em um terreno limpo e de forma solteira (ou seja, sem outras culturas instaladas). ''Seringueira, como qualquer outra cultura, passa por altos e baixos. Quando comecei a produzir a borracha, efetivamente, houve uma crise e o preço ficou ruim. Mas depois se normalizou'', explica.
Para investir na cultura, Otani explica que é preciso paciência porque depois de plantada a seringueira demora sete anos para crescer e começar a dar ''frutos''. O produtor elenca alguns pontos da cultura da seringueira que, para ele, são mais vantajosos em relação à produção de café: custo produtivo menor, necessidade de bem menos mão de obra, despesas com insumos quase inexistentes. ''Não tenho saudade do café'', brinca.
Na propriedade de Otani, por exemplo, é ele mesmo que todos os dias vai até o local pela manhã (que é o melhor período) para fazer a sangria (corte) na árvore. A planta chega a sangrar durante quatro horas seguidas. O produto escorre em um recipiente chamado de vaso, de onde é retirado no final do dia por um funcionário, o único que o produtor tem.
As seringueiras, explica Otani, têm vida útil entre 35 e 40 anos e produzem durante 10 meses seguidos no ano. ''Lá por agosto e setembro elas entram no período de derrubar as folhas, ficam limpinhas'', descreve. Cada pé chega a produzir de 5 a 10 quilos de látex por ano.
Os cortes nas árvores precisam ser feitos de cima para baixo e com todo o cuidado, segundo o produtor, para que planta não seja prejudicada. ''O sangrador precisa ter cuidado para não ferir a madeira, o corte precisa ser superficial para que o local possa ser regenerado e novamente cortado'', diz.
É interessante ainda que as árvores em que serão feitas a sangria sejam alternadas. Otani separa as árvores em três blocos: na segunda-feira faz o corte em um grupo, na terça-feira em outro e na quarta-feira no terceiro bloco, depois retorna ao primeiro, sucessivamente. A faca de sangria é especial, tem curvatura específica e chama-se jebong.


