Sericicultura, um fio de esperança
Osvaldo da Silva Pádua
e Geraldo Marchi
O Estado do Paraná, e principalmente o município de Nova Esperança, sofre com as dificuldades enfrentadas pelos sericicultores, devido a vários fatores: em primeiro lugar, um plano econômico que massacra o setor agropecuário; segundo, a crise econômica mundial, e principalmente a asiática, que danifica o processo de comercialização; terceiro, a falta de uma política definida para o setor; quarto, a insensibilidade do setor industrial, que monopoliza o comércio e o setor de insumos para a atividade; quinto, o clima maluco que desmotiva ainda mais, reduzindo em dois terços, no início desta safra, a produção de casulos verdes.
A sericicultura contribui significativamente para com o Estado do Paraná, não só como uma importante atividade geradora de divisas mas, principalmente, pela sua importância social e econômica para milhares de famílias de mini e pequenos produtores. Também é importante para milhares de famílias de trabalhadores rurais que, no sistema de parceria, se integram à produção, residindo no meio rural e tendo na sericicultura uma alternativa de emprego e renda.
Diante de tantos contratempos, com certeza nosso sericicultor está em busca de resposta para os seus problemas. E nós, como produtore, técnicos e políticos, temos a missão de irmos, junto com os sericicultores, em busca de alternativas que possam amenizar a situação.
Estamos em busca, junto ao governo do Estado, de uma política para o setor, bem como motivar nossos sericicultores quanto à organização, união, planejamento para uma melhor distribuição da mão-de-obra, manejo correto dos amoreirais e criações, resgatando a consciência e sensibilidade que essa atividade exige, bem como a diminuição de custos com introdução de máquinas e equipamentos adequados, facilitando a mão-de-obra e melhorando a produção, produtividade com qualidade, evitando desperdícios.
Apesar das dificuldades ainda somos (o município de Nova Esperança) o maior produtor de casulos verdes, com 17% da produção do Estado. E num raio de 50 km temos 42% da produção estadual. Somente no município de Nova Esperança empregamos no campo cerca de 3600 pessoas. Mas, isto só não basta. Se quisermos uma atividade forte em tempos de globalização, temos que dar condições, aos pequenos produtores, de participarem de condomínios de empresas em que eles possam agregar valor ao seu produto, como além de vender casulos, vender também fios, tecidos e, por que não?, camisas, blusas e gravatas de seda.
Osvaldo da Silva Pádua é secretário municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente de Nova Esperança, presidente da Comissão Nacional de Sericicultura, e presidente da Coespar/Acesp; Geraldo Marchi é presidente da Coespar/Acesp.

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