Na atividade há dois anos, a família da produtora Marta Pillati investiu em um galpão mecanizado no assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas
Na atividade há dois anos, a família da produtora Marta Pillati investiu em um galpão mecanizado no assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas | Foto: Ricardo Chicarelli


No assentamento rural Dorcelina Folador - entre as cidades de Apucarana e Arapongas – a sericicultura faz parte da história de trabalho dos pequenos produtores. Em 17 anos de assentamento, a atividade chegou a gerar renda a 46 famílias no local. Entre idas e vindas – e situações econômicas turbulentas com o bicho-da-seda – atualmente são 22 produtores, sendo boa parte bem satisfeita com a integração com a Bratac.

Há dois anos e meio, a produtora Marta Pillati, uma das líderes do assentamento, resolveu apostar na atividade. Ela sofreu um prejuízo muito grande no café após a geada de 2013, logo num momento que estava passando do sistema convencional para o agroecológico e, assim, tentando melhorar sua atividade na cafeicultura. "Tinha 13 mil pés de café e como estava nesse processo de conversão, resolvi não começar do zero e migrar para a seda."

Na área de 24 mil metros quadrados onde havia café agora as amoreiras predominam. Com a assistência da Bratac, ela apostou no galpão mais mecanizado possível, além de um trator e uma máquina de corte para a alimentação dos animais. "O nosso barracão é todo mecanizado, tem motores e guinchos elétricos para descer e subir os bosques, além de um sistema de carrinho para tratar os bichos e não precisar sair com amora no braço. Desde o começo, isso era uma exigência nossa para entrar na atividade, inclusive para preservar a saúde e ter mais conforto para trabalhar."

Na última safra, ela – junto com o marido, o filho e um funcionário - trabalhou com 40,5 caixas do bicho-da-seda e fechou com média de nove criadas. "Para mim, o mais difícil (no manejo) é lidar com a genética do bicho, que a empresa vem mudando, então cada criada acaba saindo diferente uma da outra. É um animal muito sensível e o produtor precisa ter um olhar muito atencioso em cima deles."

Apesar do monopólio da empresa em relação ao setor, Marta relata que não tem do que reclamar em relação ao relacionamento com a empresa. "Temos uma confiança na empresa e digo que optamos pela sericicultura porque o mercado oscila menos que, por exemplo, a horticultura e de laticínios, que trabalhei por quatro anos. "

Outro ponto econômico positivo citado por ela é que como as criadas são mais rápidas, de 25 a 30 e poucos dias cada, o fluxo de caixa é maior que, por exemplo, o café, que acaba sendo uma cultura bianual mais forte. "É uma atividade que nos deu uma rotina de trabalho, custo baixo e implementação rápida. Se não esbarrasse na dificuldade de mão de obra, sem dúvida aumentaria minha área."

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