Separando o trigo do joio
Para quem irão os Crédito do Carbono ? Quem pensa que o Projeto CTA (Consultant, Trader and Adviser - Geradores de Negócios nos Mercados Futuros e de Capitais), do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, tem a resposta para a pergunta poderá ter uma enorme decepção.
Não, desta vez, não seremos nós - os economistas - a dizer quem ficará com os Créditos de Carbono, ou melhor, quem serão os contemplados neste emergente Mercado Poluidor de Negócios. Aliás, perdão, Mercado de Emissão Limpa, conforme disse em entrevistas recentes um dirigente de alguma dessas federações de peso, sobre a incômoda missão de que se incumbiram, reduzir emissões.
Mas separemos o trigo do joio. O Projeto CTA defende a construção de um Novo Mercado que traga investimentos diretos para as populações carentes e excluídas da pirâmide das commodities tradicionais, inserindo-as no processo produtivo das commodities ambientais e oferecendo-lhes acesso ao mercado.
Na estrutura hoje vigente, o indivíduo desempregado ou sem renda fica totalmente fora do mercado: ele não tem acesso à água potável, à eletricidade, ao tratamento do esgoto, etc, bens que compõem as matrizes ambientais.
Entendemos que, se não gerarmos emprego e renda para as populações que vivem das florestas, para os sem-terra, os sem-teto, os sem-expectativa-de-vida, desempregados em geral, não há como preservar o meio ambiente. Tampouco é possível controlar a emissão de poluição, que vai desde os esgotos lançados em rios, córregos e mares pelas populações ribeirinhas, governos entre outros até o dióxido de carbono lançado na atmosfera por todos setores produtivos envolvidos.
Também não acreditamos neste discurso para inglês ver alardeado pelo Protocolo de Kyoto. De acordo com ele, países ricos darão dinheiro a países pobres como compensação por suas emissões em menor escala para assim poderem continuar a poluir sem que isto afete diretamente o PIB, o crescimento econômico, enfim suas receitas. Será que isso vai mesmo acontecer?
O Projeto CTA acredita que o Brasil tem enorme potencial para desenvolver projetos sócio-economicos que atendam a interesses maiores do que simplesmente de uma classe social ou de uma entidade ou outra. O País tem ainda condições de expandir esse projeto a outros países dado o aspecto humanitário que ele envolve. Por que acreditamos nisso? Porque o Brasil não é um país pobre, e nunca foi, sendo detentor das sete matrizes ambientais produzidas em condições sustentáveis: água, energia, minério, madeira, biodiversidade, reciclagem e controle de emissão de poluentes (água, solo e ar).
Estamos preocupados com a maneira pela qual as reuniões e debates sobre este tema vêm sendo conduzidas. A tendência que temos observado é, infelizmente, que os Créditos de Carbono sejam novamente a repetição de um modelo centralizador, arriscado, limitado e desgastado sob os quais se estabeleceram os contratos de derivativos, commodities e títulos nos grandes centros financeiros.
Se o Fórum Econômico em Davos teve como oposição o Fórum Social Mundial no Rio Grande do Sul, as commodities tradicionais, títulos financeiros e derivativos terão como oposição as Commodities Ambientais.
Felizmente, avança rapidamente no País o debate sobre a criação de instrumentos econômicos legítimos, que atendam com maior eficiência e sem segundas intenções as demandas sociais.
Lamentamos informar aos in-commoditizados que continuaremos a questionar e debater de forma democrática e transparente esse assunto, colocando nossa experiência como traders, gestores financeiros e administradores de fundos à disposição da sociedade civil organizada, com a participação da Rede CTA-UJGOIAS, na luta pelo desenvolvimento de um novo e limpo mercado financeiro.
Os in-commoditizados que se mudem!
A autora é economista, coordenadora do Projeto CTA e Rede CTA-UJGOIAS - Consultant, Trader and Adviser - do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo em parceria com o Universo Jurídico do Estado de Goiás coordenado pelo Procurador de Justiça Criminal do Ministério Público - Dr. Paulo Maurício Serrano Neves email: [email protected]





