Sensor para reduzir perda no cultivo de banana
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sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Brás Henrique<br> Agência Estado 
Ribeirão Preto - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP) está desenvolvendo um sensor para ajudar a reduzir a perda no cultivo da banana. O sensor, que já detecta um gás emitido pela fruta, poderá indicar o melhor momento para a colheita, diminuindo a perda da fruta no campo.
''Já mostramos que o sensor funciona e responde a um gás emitido pela banana, mas ainda temos que avaliar qual é esse gás e quantificar o prazo do amadurecimento da fruta'', diz o pesquisador Paulo Sérgio de Paula Herrmann Júnior. Após concluir a pesquisa, em agosto de 2007, ele pretende também analisar o uso do sensor em outras frutas perecíveis, que amadurecem com rapidez, como morango, kiwi e laranja.
O sensor ainda não foi testado em grandes plantações de banana. Mesmo sem conhecer o sensor, Amílton Carvalho Júnior, gerente de produção da Fazenda Tapeirão, de Brotas, que colhe 1.800 toneladas de banana nanica por ano, acredita que ele poderá beneficiar mais os pequenos produtores. ''Se vier ao alcance dos pequenos será melhor do que para os que produzem em grande escala'', diz, lembrando que na fazenda são colhidas de 2 mil a 5 mil caixas por semana, enquanto os pequenos colhem em média 300 caixas semanais. ''Em grande escala precisamos de agilidade.''
Pesquisa - Herrmann Júnior destaca que o sensor pesquisado (plástico-PET ou papel vegetal) é produzido pela técnica de polímeros eletrônicos (formação de trilhas com grafite), que assimilou durante o pós-doutorado que fez nos Estados Unidos. Nesse processo, o sensor é dividido em três partes: substrato (papel ou plástico), o grafite sobre o substrato (como eletrodo) e uma camada ativa (a polianelina) como condutora.
Cada sensor mede 2 por 3 centímetros e a meta é que seja descartável. O custo, segundo o pesquisador, hoje seria de R$ 1,20 por unidade, mas ele poderá ser reduzido quando produzido em larga escala. O importante será desenvolver ainda um componente eletrônico para ler as informações do sensor.
O pesquisador informa que o sensor mede o valor da resistência elétrica, que indica a variação do amadurecimento da banana. ''Esse método não danifica a banana enquanto outras técnicas, como a medição de pH, a penenometria (agulha penetra a fruta para medir a rigidez) e ressonância magnética (usada em laboratório)'', explica Herrmann Júnior.
O Brasil é segundo maior produtor de banana do mundo, atrás apenas da Índia, produziu 6,6 milhões de t em 2005 e São Paulo é o maior do País, com 16,4%. O País destina 92% de sua produção ao mercado interno e apenas 8% à exportação.
''Mas perde-se 40% da produção no pós colheita'', diz o pesquisador, referindo-se ao deslocamento da banana do campo para as cidades, no próprio comércio e até com o consumidor final. Porém, ele lembra que existem caixas de bananas com diferenças de 50 dias de produção. Isso facilitaria o amadurecimento da fruta e prejudicaria, consequentemente, a comercialização.


