Nos três útlimos anos o setor pecuário da Agrishow apresentou novas raças bovinas. Em 2000 foi a montana. No ano passado, a novidade foi a bonsmara, de origem africana. Nesta edição foi apresentado o taurino senepol.
O criador que apresentou a raça, José Pereira Benza, tem propriedade em Rondônia, e garantiu que o senepol é um animal de ‘‘uso estratégico para a agropecuária brasileira, pois responde no cruzamento industrial aquela famosa pergunta: O que coloco na minha F1?’’. A F1, normalmente, é uma fêmea resultado de um animal europeu com um zebuíno.
Benza disse ainda que pela formação ‘‘o senepol é a raça certa e mais distante geneticamente da grande maioria do rebanho de fêmeas meio-sangue hoje existente no Brasil.’’ Segundo o criador o produto senepol com fêmea meio-sangue angus, por exemplo, tem a mesma resistência ao calor e o ganho de peso do que a sua mãe meio-sangue, mantendo no cruzamento as características desejáveis para o pecuarista.
Benza importou dos Estados Unidos oito touros reprodutores da raça, que tem origem das Ilhas Virgens, e mais 60 matrizes para usar tecnologias de multiplicação do rebanho. Hoje já tem 500 bezerros nascidos e faz um projeto de fertilização in vitro, num laboratório dentro da sua fazenda. Esse projeto deverá resultar no nascimento de mais dois mil animais da raça esse ano.
A raça senepol foi formada nas Ilhas Virgens a partir de duas raças taurinhas: n’dama, do Senegal (África) e o redpoll (raça britânica mocha de dupla aptidão). Hoje existem animais nos Estados Unidos, Venezuela, México, Paraguai, Argentina, África do Sul e Austrália. Ao todo, no mundo, são 15 mil exemplares.
Além de usar a raça para os cruzamentos, Benza destaca que os animais são rústicos; resistentes a parasitas como bernes e carrapatos, porque têm pêlo curto; mochos, o que para o criador facilita o manejo a campo e precocidade sexual. As fêmeas estão aptas a iniciarem vida reprodutiva aos 14 meses e os machos aos 18 meses de idade.

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