Senar termina ano com 153 cursos
Vânia Casado
De Curitiba
O Senar Serviço Nacional de Aprendizagem Rural está encerrando suas atividades deste ano com 153 cursos e treinamentos de formação, capacitação, qualificação profissional e promoção social, dados gratuitamente para a comunidade rural.
As atividades do Senar são realizadas em colaboração com a Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e têm como objetivo a atualização de trabalhadores, produtores, lideranças empresariais, dirigentes e funcionários de sindicatos sobre os assuntos: métodos de comercialização, avaliação econômica, procedimentos jurídicos e agrários, gestão, planejamento, relações trabalhistas e tributação.
Melhoria do conhecimentoUm dos programas de treinamento bastante procurados no Senar é o projeto Administração Rural na Era da Gestão pela Qualidade. Produtores e empresários rurais são orientados a adotar novas técnicas de gerenciamento de suas propriedades e empresas, para superar dificuldades como a escolha do que produzir, os altos custos de produção, a baixa qualidade dos produtos, o pouco investimento no acesso ao conhecimento. E ainda recebem informações de como comercializar seus produtos e maneiras de obter financiamento.
Preocupada em direcionar as ações que levem ao campo do conhecimento, a entidade providenciou a instalação de Salas do Produtor nos 150 sindicatos rurais filiados à Faep. Trata-se de um projeto denominado Tecnologias e Informações Gerenciais On-Line, onde foram reunidos num mesmo local um computador e uma impressora que possibilitam o acesso à Internet e links das páginas do Senar/PR e da Faep, em que podem ser consultados o serviço de meteorologia, bolsas e mercados, a Previdência Social, a legislação trabalhista, o cadastro do Incra e outros sites que servem para orientação dos produtores em suas decisões. Hoje, o produtor tem condições de avaliar desde o clima e período para o plantio, evitando perdas nas lavouras, até a melhor época de comercialização de suas safras.
Paralelamente à implantação de infra-estrutura que visa a melhoria do conhecimento, o Senar e a Faep patrocinaram viagens técnicas aos presidentes de Sindicatos Rurais Patronais, produtores rurais e técnicos do Senar/PR, da Faep e da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Foram visitados os Estados Unidos e a Argentina, onde os produtores e técnicos puderam estabelecer um paralelo entre a agricultura, a infra-estrutura de apoio oferecida, os mecanismos de comercialização praticados nesses países e as condições praticadas no Brasil e no Paraná.
O Senar está promovendo ainda o primeiro curso de especialização em Engenharia da Produção, Gestão Rural e Agroindustrial, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com apoio da Embrapa, através de seu Centro Nacional de Florestas, contando com a participação de 55 profissionais, todos trabalhando na agropecuária paranaense. Essa especialização tem como objetivo contribuir com os profissionais que atuam na assistência técnica agroindustrial para o desenvolvimento de habilidades técnicas, gerenciais e estratégicas aplicadas ao setor primário.
Meio AmbienteA falta de informação por parte do produtor quanto
á utilização de defensivos agrícolas e o descarte das embalagens vazias geram danos sérios para a saúde do produtor e para o meio ambiente. Para contribuir na solução desse problema o Senar/PR lançou, em 1996, o Programa Agrinho.
A ação foi desenvolvida junto às crianças do meio rural, por serem os futuros produtores e porque são elas que têm condições, pela proximidade, de transmitir a seus pais a mensagem sobre a utilização correta e segura dos defensivos.
Neste ano, visando a sensibilização e conscientização sobre o uso correto e seguro de agrotóxicos, professores foram treinados em dar cursos para crianças, produtores e trabalhadores. Em 1997 o Programa, que vinha sendo realizado com crianças de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, estendeu-se para os alunos de 5ª a 8ª séries. Foram abordados, além dos defensivos agrícolas, temas de saúde com ênfase na educação. Foram atingidos 363 mil crianças e adolescentes de 203 municípios. A meta de 700.000 alunos foi superada em 1999, com o envolvimento de 744 mil crianças de 3.313 escolas da rede pública de ensino estadual e municipal, realizando mais de 1,23 milhão de intervenções.
AlfabetizaçãoEnquanto o Senar/PR promovia a formação profissional de trabalhadores de todas as faixas etárias do meio rural, observou que o índice de aproveitamento dos participantes em seus cursos encontrava-se comprometido devido à baixa escolaridade dos participantes. A falta de domínio da leitura e da escrita impedem o entendimento e adoção, pelo homem, das novas tecnologias, contribuindo para impedir sua participação no mercado competitivo. Em decorrência disto surgiu o Renascer, um projeto criado com a finalidade de alfabetizar, para facilitar que os produtores e trabalhadores entendessem os conteúdos dos cursos de formação profissional.
Esse programa começou em 1996, primeiramente como piloto, e tendo o Banco do Brasil como parceiro através de seu programa de Alfabetização de Adultos, o chamado BB Educar. Nesta etapa, a ação foi realizada com 25 turmas. O banco auxiliou na formação dos professores, doação dos cadernos e com o trabalho das equipes das agências, que fizeram o acompanhamento das turmas.
Em resposta às solicitações dos alunos que queriam continuar os estudos, o processo educacional iniciado foi complementado nos Centros de Ensino Supletivo vinculados à Secretaria da Educação.
Ainda com a preocupação de atender os trabalhadores rurais com baixa escolaridade, o Senar engajou-se ao programa de âmbito nacional denominado Educação Profissional de Trabalhadores Rurais de Baixa ou Sem Escolaridade, nas mesmas bases do projeto Renascer.
Nas experiências anteriores, observou-se que os alunos precisavam de maior tempo para sedimentar os conhecimentos adquiridos. A resposta surgiu este ano, com a criação da Escola Aberta, que teve como princípio integrar a educação básica e a educação profissional e contou com as parcerias da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Faep e Sindicatos Rurais Patronais. A fase piloto foi implementada em 1999, com 170 alunos distribuídos em quatro turmas.
Cadeias produtivasPara a definição dos cursos profissionalizantes, consideraram-se as cadeias produtivas de cada região, tendo o Português, a Matemática e Ciências como disciplinas de educação básica, que deram suporte ao aprendizado da ocupação juntamente com a orientação individual dada os alunos pelos professores.
Foram ministradas em Francisco Beltrão 416 horas/aula de Cultivo de Grãos e Oleaginosas; em Palmeira, 238 horas/aulas de Criação de Bovino de Leite; em Ivaté, 80 horas de Mecanização Agrícola, e em Barbosa Ferraz, 272 horas/aulas de Plantio e Cultivo do Café, totalizando 1.006 horas/aulas de qualificação profissional.





