Poucos olericultores paranaenses usam produtos biológicos pela falta de informação e também por não encontrá-los em qualquer revenda
Poucos olericultores paranaenses usam produtos biológicos pela falta de informação e também por não encontrá-los em qualquer revenda | Foto: Anderson Coelho


Nas gôndolas dos supermercados, hortaliças e legumes bonitos e vistosos atraem o consumidor para uma alimentação saudável. Em contrapartida, sempre vem a mente a quantidade de agroquímicos utilizados para que eles cheguem às prateleiras com tais características. O fato é que quando se trata das olerícolas produzidas no Paraná – se o produtor não é um orgânico certificado – existe uma grande possibilidade da ingestão elevada de resíduos dos defensivos. Um perigo iminente para a saúde e o meio ambiente.
Por outro lado, há ações de diferentes entidades para que este cenário seja transformado no Estado. Uma delas, sem dúvida, é a capacitação dos produtores para o controle biológico das lavouras, que envolve, por exemplo, a utilização de parasitoides, predadores, armadilhas de feromônios e até bioinsenticidas compostos por fungos, bactérias, vírus, entre outros.
Números mundiais apontam que este é o caminho. De acordo com relatório da consultoria internacional MarketsandMarkets, o mercado de defensivos biológicos – que inclui biopesticidas, biofertilizantes e bioestimulantes – deve atingir a marca de US$ 10 bilhões até 2020, com crescimento anual de 14,5%. A justificativa, claro, está na demanda crescente da população por alimentos mais saudáveis, custo elevado de fertilizantes e pesticidas, riscos químicos e incentivos de agências governamentais.
No Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) capacitou recentemente 15 engenheiros agrônomos com conteúdos e técnicas de controle biológico que serão disseminados aos olericultores a partir do segundo semestre deste ano, em cursos por todo o Estado. A capacitação dos profissionais contou com a apresentação de diferentes técnicas que podem ser utilizadas na lavoura. A ação é resultado de uma parceria da entidade com as universidades Federal do Paraná (UFPR) e Estadual de Londrina (UEL) e empresas privadas que trabalham com controle biológico.
A engenheira agrônoma do Senar Vanessa Reinhart relata que poucos olericultores paranaenses utilizam produtos biológicos para combater pragas e doenças. Isso ocorre, segunda ela, pela falta de informação e também por não encontrá-los em qualquer revenda, como acontece com os defensivos tradicionais. "As olerícolas não possuem tantos defensivos tradicionais específicos, o que acaba limitando as boas práticas e possibilidade de deixar resíduos nos produtos. Para um controle biológico, diferentemente do químico, não basta comprar na loja e aplicar. É um produto vivo, que envolve cuidados no armazenamento e conhecimento na aplicação para que, de fato, o resultado seja efetivo."
Entre alguns produtos que a profissional acredita que podem ser absorvidos pelos olericultores e que têm boa eficiência, está o uso das vespinhas Trichogramma sp para controle de lagartas no tomate, pimentão e algumas folhosas, armadilhas coloridas com feromônios para atração de insetos e também os bioinseticidas. Para as frutas, ainda este ano deve ser registrado no Estado o uso do ácaro predador para o combate ao ácaro rajado no morango.
Para ter acesso a este tipo de produto, Vanessa relata a necessidade dos olericultores entrarem em contato diretamente com os consultores das empresas, passando todas as informações de como deve ser realizado o manejo. "A mudança também é possível através de demonstrações, palestras, dias de campo e consultorias técnicas que mostrem a efetividade dos produtos."

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