Senador critica desmantelamento
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
O modelo de extensão rural no Brasil está sendo destruído e a pesquisa agropecuária sofre a mesma ameaça de desmonte, com sérias consequências para a agricultura brasileira. A crítica feita pelo senador Osmar Dias (PSDB-PR), em visita a Folha de Londrina durante esta semana, foi a resposta a questão do desafio do desenvolvimento de uma agricultura sustentável.
Segundo o senador, a prática de uma agricultura sustentável, que alcance boa produtividade e preserve o meio ambiente depende da transferência dos resultados da pesquisa que deve ser feita pela assistência técnica através da extensão rural ou cooperativas. Hoje a estrutura da extensão rural está sucateada, com a falta de técnicos e veículos, entre outros problemas.
Dias comentou que a Embrapa, por exemplo, tem avançadas tecnologias desenvolvidas, que muitas vezes não chegam ao produtor. O Paraná só tem a agricultura que tem porque já teve o melhor serviço de extensão do Brasil, em termos de qualidade e quantidade de técnicos, fazendo a ponte entre produtor e pesquisa, destaca o senador.
O risco da pesquisa agropecuária também ser desmantelada é grande com a falta de recursos. Segundo Dias, as parcerias com a iniciativa privada são benvindas, mas é preciso critérios nos contratos. A pesquisa não deve ser privatizada, defende.
TransgênicosAnalisando que a agricultura está vivendo um novo ciclo com a revolução da biotecnologia, Osmar Dias entende que as plantas transgênicas são uma realidade. Não podemos abrir mão dos avanços tecnólogicos, porém é preciso que a legislação seja muito clara e os testes conclusivos com relação aos danos à saúde humana, meio ambiente e benefícios econômicos, diz o senador.
Na opinião do senador a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) responsável pela liberação do plantio no Brasil tem problemas na sua forma de constitução e regras. Dias comentou, por exemplo, que para aprovação de transgênicos hoje é facultativo a apresentação de Relatório de Impacto no Meio Ambiente (Rima). O Rima sobre qualquer atividade é uma exigência constitucional, de acordo com o artigo 225. E não se pode exigir de uns e outros não, como vem acontecendo, explica. Outro problema da CTNBio apontado pelo senador é que os membros são todos indicados pelo governo e sua composição é basicamente de cientistas, sem uma representatividade para discutir, por exemplo, a questão ética.
A biotecnologia é a arma para vencer o desafio da fome, na opinião do senador, mas a liberação dos transgênicos precisa de uma legislação que dê base para uma análise criteriosa, que respeite os direitos do cidadão e suas diferentes necessidades e opções, como as pessoas que por problemas de sáude ou questão religiosa não podem consumir determinados produtos, os vegetarianos, e outros casos.
A questão econômica também foi lembrada. Segundo Dias, o Brasil tem que estar de olho no mercado externo que não quer produtos transgênicos, e destinar parte de sua produção para este mercado.
FuturoO Paraná tem uma agricultura considerada modelo para o Brasil porque combina três fatores: agricultores especializados, serviço de extensão rural e um instituto de pesquisa importante, comentou Dias. Mas destaca que o futuro da atividade agrícola no Estado vai depender dos avanços de produtividade, da diversificação e agregação de valor.
Sobre o deslocamento da produção de grãos do Estado para o Centro-Oeste e sobre a mudança de atividades no campo (dados levantados por pesquisa do Iapar), Dias comenta que o grande trunfo do Paraná é a agricultura familiar, responsável pela produção de alimentos, e que não vai faltar espaço nem consumidor para a produção paranaense. É preciso vontade política para gerar empregos no campo. O produtor precisa de apoio para agregar valor a sua produção.
Para a região do arenito, apontada por lideranças como uma nova fronteira agrícola, o senador analisa que o plantio de soja é uma boa alternativa, mas não a única, e que é preciso cautela com o solo daquela região que tem propriedades físicas precárias e exige cuidados técnicos.
RepresentatividadeO senador lamenta a pequena representatividade da agricultura no Congresso Nacional. No senado temos apenas três ou quatro colegas ligados à agricultura. E a bancada ruralista na câmara defende somente os próprios interesses, comenta.
Muitas das dificuldades enfrentadas pelos agricultores é devido a esta falta de representatividade política. Segundo Osmar, o Ministério da Agricultura precisa ser ocupado por alguém que defenda os agricultores.


