A eficiência dos produtores rurais do Paraná é retratada nos números do último balanço da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mesmo com os problemas climáticos enfrentados no Estado na última safra. A soja, cultura preferida em uma única safra no Estado com 5,4 milhões de hectares (ha) de área plantada, chegou a ter produtividade de 3,3 toneladas (t) por ha no período 2014/2015, índice que caiu para 3,1 t/ha na última colheita. Mesmo assim, o resultado é superior à média nacional, de 2,9 t/ha na safra 2015/2016.
No milho, que em duas safras chega a 5,6 milhões de ha de área plantada, a produtividade prevista para este ano é de 5,6 t/ha no Paraná e de 4,3 t/ha na média nacional, ou 30% a mais, conforme a Conab. Outra diferença substancial está no feijão, mesmo com a quebra de safra prevista. No Estado, há a expectativa de 1,5 t/ha e de 0,9 t/ha no Brasil.
Nos derivados de animais, o Paraná não apenas está entre os melhores em produtividade, mas fica entre os líderes em números absolutos na maioria das culturas. De acordo com dados de 2015 do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), os produtores locais lideram no fornecimento de carne de frango (1,7 bilhão de cabeças) e casulos de bichos da seda (2,2 mil t). Ainda, é segundo em quantidade de ovos de galinha (377,4 mil dúzias), mel de abelha (5,6 mil t) e lã de ovinos (4,7 t), terceiro em suínos (7,7 milhões de cabeças) e leite (4,5 milhões de litros). Por fim, é o nono em bovino de corte (1,2 milhão de cabeças).
Professor de economia rural da FAE e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugenio Stefanelo lembra que os agricultores paranaenses usam o plantio direto na palha em mais de 90% da área das propriedades, têm alto índice de aplicação de sementes especiais, fizeram a correção do solo muito antes de outras regiões e já incorporaram ao cotidiano as práticas de rotação de culturas. "Embora tenham regredido um pouco na conservação do solo nos últimos anos, o governo, a Secretaria da Agricultura e as cooperativas já estão batendo de novo na absoluta necessidade de voltarem à prática", alerta.
O professor de economia, que já presidiu a Conab, afirma ainda que algumas regiões paranaenses tem índices de produtividade entre os melhores do mundo. "Núcleos como o dos Campos Gerais, do município de Entre Rios e de parte da região Oeste são fortíssimos. Além do Norte, que é forte pela terra fértil."
No caso da pecuária, ele cita que o padrão tecnológico paranaense para a produção de aves e suínos é dos mais evoluídos. "Existe uma organização completa da cadeia produtiva", afirma, ao completar que há facilidade pela disponibilidade local de soja e milho para ração. "No leite, temos a bacia mais especializada e evoluída do Brasil na região Centro-Oeste, com média de 40 litros ao dia por vaca", elenca Stefanelo. (F.G.)

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