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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Sete focos de febre aftosa. Cerca de 4,5 mil bovinos sacrificados. Milhões em prejuízos para toda a cadeia produtiva da carne bovina, suína e de aves. Quatro anos depois, o Paraná tenta apagar esse episódio com uma meta ambiciosa: tornar o Estado livre da doença sem vacinação. É inegável que durante este período foram promovidas melhorias na fiscalização da sanidade animal do Estado, mas também não se pode esquecer que ainda há gargalos a serem superados e regras rígidas a serem cumpridas. Nesse embalo, no próximo ano, o Brasil iniciará os procedimentos para obter o status internacional de área livre de febre aftosa com vacinação. Atualmente, nos estados do Norte concentram-se os principais focos da doença.
A meta do governo paranaense é acabar com a vacinação do rebanho de bovinos e de búfalos no longo prazo (acima de cinco anos). Já nesta primeira etapa da campanha, que será realizada em maio, deverão ser vacinados apenas animais com até dois anos; em novembro - quando ocorre a segunda fase da campanha - todo o rebanho deverá ser imunizado. É importante salientar que não está proibida a vacinação de animais com idade superior a dois anos na primeira etapa. ''A imunização terá que ser comprovada e a existência na propriedade de animais com mais de 24 anos, mesmo que não vacinados, terá que ser comunicada'', informa Silmar Burer, chefe do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Segundo ele, a obtenção do status de área livre de aftosa sem vacinação ''é a evolução do programa estadual de erradicação da doença'', cujos estudos foram intensificados há dois anos. No entanto, ainda estão sendo finalizados alguns requisitos exigidos pela Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento (Mapa) que, entre outros itens, determina a estruturação do serviço de fiscalização; cadastro de todos os pecuaristas; Guias de Trânsito Animal on-line e vigilância 24 horas. Segundo Burer a inclusão do Paraná foi aprovada pelo Mapa a partir dos procedimentos já adotados nos últimos anos.
Além disso, exames de sorologias realizados por amostragem nos rebanhos anualmente mostraram que não há circulação viral no Estado. Segundo ele, não há presença do vírus nem mesmo nas propriedades consideradas de alto risco, localizadas em áreas de fronteiras e as que recebem animais de outras regiões do País. ''Desde o sacrifício do último animal (ocorrido no dia 31 de março de 2005) todas as sorologias e exames confirmaram ausência viral no Paraná'', diz. O chefe do Defis acrescenta que o Paraná está atento aos procedimentos adotados nos outros países do Mercosul, principalmente, nos limítrofes.
No Mato Grosso, por exemplo, há uma zona de vigilância na fronteira com a Bolívia, enquanto no Mato Grosso do Sul foi montada uma região de alta vigilância - com aprovação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) - na divisa com o Paraguai. Neste caso há uma vacinação oficial (acompanhada por técnicos do Mapa), todos os animais são identificados com brinco e botton e, quando importados, são submetidos a um processo de quarentena. Na fronteira entre Paraná e Paraguai não foi montada zona de vigilância. O trânsito de animais é caracterizado como importação e, por isso, de responsabilidade do Mapa, que também investiga a ocorrência de outras doenças.


