Nesta safra, o produtor, com uma margem de lucratividade estreita na soja, terá que usar de racionalidade na hora de aplicar fungicidas na lavoura e monitorar não só a sua área, mas ficar de olho também no que acontece na região. A recomendação é pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.
Segundo ela, com preços para a soja próximos das margens históricas e o aumento nos custos de produção da lavoura, a recomendação é para que o agricultor trabalhe pela eficiência, racionalizando custos. A melhor estratégia para isso, ensina Cláudia, é fazer o monitoramento. Com o trabalho é possível planejar quando e quanto a ser aplicado no controle de doenças da lavoura.
O custo de aplicação contra a ferrugem nesta safra, por exemplo, ficará na faixa de 2 a 3 sacas de soja por hectare, revela Cláudia. ''O aparecimento da doença não só aumenta custos de produção como diminui margem de rentabilidade. Portanto, a melhor estratégia é monitorar.''
Cláudia afirma que a previsão da meteorologia, por enquanto, é de uma safra com veranicos e chuva na colheita, o que desfavoreceria o aparecimento da ferrugem. O agricultor, no entanto, deve ficar esperto. Outubro, por exemplo, foi um mês atípico. Teve mais chuvas do que o previsto e se o produtor tivesse soja florescendo neste período já teria problemas com a ferrugem.
Embora se fale que o clima é determinante pesquisadores alertam que não há uma fase específica para que a doença se manifeste na planta. A ferrugem pode ser mais facilmente observada na fase de maturação, quando as folhas estão amarelas, mas neste estágio os danos já serão irreversíveis. O diagnóstico tardio pode ser evitado com o monitoramento, principalmente nas folhas da parte inferior da planta, próximas ao solo.
O uso de fungicidas é uma medida de controle para minimizar os danos a curto prazo. A longo prazo, a Embrapa Soja está trabalhando no desenvolvimento de cultivares mais resistentes/tolerantes à doença para reduzir o custo de produção.
Sabe-se hoje que o ciclo de reprodução do fungo causador da ferrugem é de 7 a 10 dias, podendo assim ter vários ciclos durante a mesma safra de soja (a soja tem um ciclo de aproximadamente 130 dias). Estudos da Embrapa mostram que, em média, o efeito residual dos fungicidas é de 25 dias. Se a ferrugem for identificada no início do ciclo de vida da planta, será preciso, em média, três aplicações de fungicidas durante a safra.
Na safra passada as perdas do ataque da ferrugem somaram de 4,5 milhões de toneladas. Além do que não foi colhido, os produtores tiveram que investir no controle químico com a compra de produtos e custos de aplicação. (C.B.)

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