Uma urgente revisão dos critérios adotados nos julgamentos de raças zebuínas em exposições por todo o País. Este foi o resultado de um seminário, promovido na semana passada pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). O Seminário Nacional de Revisão de Critérios de Julgamento e Seleção em Gado de Corte aconteceu nos dias 25, 26 e 27 de novembro em Uberaba (MG).
Cinquenta e um exemplares de diversas raças zebuínas foram avaliados vivos e mortos. A ABCZ confrontou os resultadas a que 126 membros do seu Colégio de Jurados chegaram visualmente, com os obtidos numa prova de carcaça e rendimento de carne efetuada depois do abate desses animais. A prova de carcaça serviu para determinar, com rigor científico, em que proporção os animais possuíam as características desejadas pela indústria frigorífica e o mercado consumidor.
Reciclagem Verificou-se que os resultados entre o julgamento visual dos animais feitos pelos juízes e a análise do rendimento, após o abate, não coincidiram em muitos dos casos. O nelore, por exemplo, colocado em primeiro lugar quanto ao rendimento de carcaça, ficou em terceiro na média dos jurados; o guzerá, em sétimo; o indubrasil, em sexto; e o tabapuã, em sétimo.
Individualmente alguns dos juízes tiveram resultados melhores. Mesmo assim, segundo o diretor da ABCZ que coordenou o seminário, Willian Koury, é urgente a reciclagen do quadro de jurados, a fim de assegurar, em escala nacional, uma melhoria significativa de julgamentos.
Em muitos casos, afirmou Khoury, são estas análises que influenciam diretamente o aumento de produtividade para o produtor, trazendo maiores lucros para a pecuária em geral. A ABCZ pretende ministrar cursos de reciclagem para os jurados, visando aproximar ao máximo a avaliação visual do resultado científico. Os participantes do seminário integrarão uma lista preferencial da ABCZ para julgamentos futuros.
O superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antônio Josahkian, acrescentou que o seminário foi um ‘‘divisor de águas, norteando o redirecionamento para modernos critérios de julgamento e seleção.’’ A partir de agora a ABCZ deverá ministrar cursos de reciclagem para os jurados, visando aproximar ao máximo a avaliação visual do resultado científico.
Dos 88 animais adquiridos pela ABCZ para a prova, 37 não obtiveram ganho de peso suficiente durante o período de confinamento que antecedeu o evento. Os 51 animais participantes da prova foram analisados nos dias 20 e 25, quando se verificou, entre outros itens, comprimento do corto, altura do anterior e do posterior e perímetro torácico.
A prova de rendimento de carcaça foi coordenada pelo professor da Universidade de Campinas (SP), Pedro Felício, considerado um especialista no assunto. A análise de resultados também contou com a participação do agrônomo José Benedito de Freitas Trovo, coordenador geral da área de Melhoramento Animal do Ministério da Agricultura e do Abastecimento.

mockup