Seminário elenca desafios e oportunidades da pecuária
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sexta-feira, 15 de abril de 2016
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Aumentar a taxa média de natalidade, reduzir os índices de mortalidade, a idade para o primeiro parto e o intervalo entre os partos e diminuir ainda o tempo de terminação dos bois para, no mínimo, 30 meses, deve ser a meta da pecuária moderna, na opinião do secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara. "Para ter mais carne num jogo combinado de ganha-ganha com a indústria, o pecuarista precisa investir não só no sistema de alimentação, mas também na gestão da atividade", diz Ortigara, que abriu o "Seminário Pecuária Moderna: de criador de gado a produtor de carne", promovido pelo Grupo Folha de Comunicação na última quarta-feira, no Auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, como parte da programação da 56ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina). O evento foi feito em parceria com o Sistema Faep, patrocínio da construtora Vectra, governo do Estado, Cooperativa Integrada e Sicredi e apoio da Sociedade Rural do Paraná.
Para o superintendente do Grupo Folha, José Nicolás Mejía, o agronegócio é "importante matriz econômica do Estado". "Temos realizado debates relevantes nos EncontrosFolha. Hoje discutimos o caminho a ser traçado pela pecuária moderna, visando aumento na produtividade, sustentabilidade e um diferencial competitivo para a atividade no Estado", comenta.
Gestor de projetos de sustentabilidade da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Gilson Spanemberg, explicou como funciona a parceria entre a Apex e o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS). "Nosso objetivo é a internacionalização de empresas brasileiras e promoção de produtos nacionais no exterior."
A Apex e o GTPS apostam na sustentabilidade como ferramenta para o aumento da competitividade da carne brasileira no mercado externo. Para isso, informam e capacitam as empresas inovadoras, oferecendo estudo de mercado e análise de tendências, para uma assessoria técnica customizada. "A mídia da pecuária brasileira no exterior era negativa, então investimos num trabalho de relações públicas para mostrar os avanços conseguidos pelos setor", diz Spanemberg.
Segundo Elir de Oliveira, coordenador técnico regional do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar)/Polo Pesquisa Oeste, o sistema de integração lavoura pecuária ainda é a melhor alternativa para incrementar a produtividade e melhorar a rentabilidade da pecuária de corte no Paraná. "Tudo depende de um manejo bem feito da pastagem."
O pesquisador é a favor da "desbraquiarização" do pasto. "Existem diversas opções de forrageiras que ofertam maior quantidade de proteína ao boi que a braquiária e que são mais fáceis de manejar. É preciso saber escolher a opção que melhor se adapta à propriedade."
Para Geraldo Moreli, mestre em produção animal do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), é possível melhorar a qualidade da carne e agregar valor ao produto trabalhando na produção de novilho precoce "para oferecer um melhor produto ao mercado". "O segredo para evitar o efeito sanfona no gado é investir no melhoramento genético aliado à suplementação alimentar, especialmente no inverno, quando não há pastagem. E isso requer planejamento e manejo adequado da propriedade", comenta Moreli.
Segundo o engenheiro agrônomo José Renato Silva Gonçalves, MBA em agronegócios e mestre em ciência animal e pastagens pela Universidade de São Paulo (USP), o planejamento é fundamental para o pecuarista gerir com qualidade o gado de corte. Para ele, o preço final da arroba não significa rendimento ao produtor. "É preciso investir na propriedade para conhecer a margem de lucro. Isso se faz quando a arroba está valorizada, assim diminui a necessidade de abate de matrizes", finaliza.


