Seminário destacará qualidade
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Fotos: Celso MargrasDionísio Bertolini mostra a diferença de tamanho e cor entre os grãos de milho e fala do aproveitamento industrial.O objetivo é mostrar que a integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva pode render bons lucros. Os produtores da região dos Campos Gerais que se destacam como os campeões de produtividade começam agora a se preocupar com a qualidade do produto, para maximizar os lucros, já que estão conscientes que daqui para frente ficará cada vez mais estreita a margem de rentabilidade.
Se o produtor que cuida de sua lavoura e procura obter altos índices de produtividade fizer uma amostragem do milho recém-colhido no campo com o milho que vai para o consumidor, deve assustar-se com a perda de qualidade, alerta o produtor Dionísio Bertolini, de Ponta Grossa.
Produção para o consumoDionísio Bertolini explica que não adianta o produtor se preocupar exclusivamente com o aumento de produtividade. Na sua opinião a preocupação com a qualidade e a visão de cadeia produtiva pode render lucros adicionais à atividade. Ele ensina que o produtor precisa direcionar a produção conforme a exigência de quem vai consumir. Bertolini lembra que o produtor nunca havia pensado no universo de compradores para o seu milho. Ele admite que essa mudança de comportamento implica em revisão de modelos, mas alerta que é a alternativa que vai restar ao produtor de milho, se quiser permanecer na atividade.
Dionísio Bertolini planta cerca de 700 hectares de milho por ano em diversas propriedades nos municípios de Castro e Tibagi, e colheu na safra passada 4,9 mil toneladas. A produtividade média alcançada é de 7 mil quilos por hectare. O produtor já faz a separação do milho na propriedade através de peneiras numeradas e vende os melhores grãos para uma multinacional instalada em São Paulo, que produz salgadinhos snacks. A especialização é tanta que a indústria só compra grãos conforme as especificações detalhadas por ela, afirmou.
Início do plantio direto de milho da safra 97/98
Evitar perdasPara Bertolini o atual modelo de produção de grãos é consequência de um período fechado para o País, que não tinha acesso a tecnologia de última geração, como está acontecendo agora com a globalização da economia. O País não podia comprar máquinas modernas, com a justificativa de que havia similares nacionais, só que elas praticamente destróem o grão já na colheita, denuncia o produtor.
Segundo Bertolini, a falta de cuidados com o milho a partir da colheita, transporte, secagem, armazenagem e entrega ao consumidor provoca uma perda de até 25% de proteína do grão. O assunto começa a preocupar as fábricas de rações que consomem 95% do milho produzido no País. Para se ter uma idéia, a qualidade do milho influencia o teor de proteína da ração, do ovo e até a sanidade dos animais.
Um dos pecados capitais apontados por Bertolini é a mistura de grãos em grandes silos graneleiros, modelo imposto na década de 70 com a construção de grandes estruturas. O problema é que mistura-se num mesmo local todos os tipos de grãos, com os variados graus de impureza, umidade, tamanho e cor. É claro que essa mistura deprecia a qualidade do milho e o País pode estar perdendo muito dinheiro com isso, imagina. Além disso, Bertolini condena o fato de o milho passar por um processo de secagem, submetido a uma temperatura superior a 160º. Na visão do produtor, aí já começa a perda de proteínas, argumenta.
Na verdade o que está faltando para solucionar essas distorções é uma política de comercialização e de trabalho conjunto com o produtor, já que a mistura de grãos compromete a qualidade e o padrão de exportação de milho. A indústria, por sua vez, deveria valorizar o esforço dos produtores que apresentam grãos de qualidade e deveria comprar o milho através de lotes formados de acordo com a finalidade de produção. O que acontece atualmente é que o produtor é premiado pela produção e não pela qualidade, justifica.
Bertolini admite que o milho ainda é essencialmente consumido no mercado interno, mas alerta que o País poderá ficar para trás se não rever rapidamente o modelo de comercialização do milho. Ele destaca a grande potencialidade dos Campos Gerais na produção de milho e sugere que a região também seja uma líder na exportação.


