Sementes miúdas são mais difíceis de penetrar na palha
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sexta-feira, 20 de julho de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

O estado de São Paulo também possui trabalhos interessantes ligados ao Sistema de Plantio Direto em Hortaliças (SPDH) e alguns deles foram desenvolvidos pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Thiago Leandro Factor é pesquisador da área de hortaliças da entidade, com atuação maior nas culturas da cebola, batata e beterraba. Ele explica que foi feito um trabalho de aproximadamente cinco anos com o plantio direto em cebola na região de São José do Rio Pardo principal produtora da cultura no Estado de São Paulo com resultados de produtividade similares e até superiores ao sistema convencional.
"Fizemos ensaios tanto na forma de plantar, mudança de adubação, densidade de plantio e outros itens que nos fizeram constatar que o sistema é viável. Vale dizer que algumas pessoas ainda confundem o plantio direto com semeadura direta. O plantio direto de fato precisa ter palha e nenhum revolvimento do solo, o que é uma diferença grande tecnicamente", complementa.
Porém, umas das limitações encontradas está naquelas culturas que possuem sementes muito pequenas, pela dificuldade de penetrar na palha no momento da semeadura e não haver máquinas para realizar o trabalho com eficiência. "Para alguns tipo de solo e de palhada, com as sementes miúdas, quando ela cai em cima da palha não nasce direito, há um problema de germinação. Esse é um dos gargalos que faz com que ainda hoje não se tenha adotado o sistema em maior proporção pelos produtores", explica Factor.
Agora, quando se faz o plantio com mudas, tal limitação é superada. Isso pode ser feito com as folhosas, como alface, almeirão e rúcula, além de cebola, beterraba e as brassicas, como repolho, brócolis e couve-flor. "Vencido esse empecilho, você ganha com a questão da umidade do solo, evita a erosão, melhora a absorção de nutrientes, temperatura de solo, ou seja, todas as vantagens que o plantio direto oferece em grãos."
Mas a grande questão é que muitos produtores deixaram as mudas e partiram para a semeadura direta justamente porque com mudas é necessário maior mão de obra e, portanto, aumento dos custos de produção. "Existem máquinas que fazem o transplante de mudas, mas no Brasil ainda é uma novidade, não temos nada massificado. Apesar das hortaliças terem seu valor econômico e ser um mercado promissor, para as empresas de máquinas (ainda) é difícil comparar com os grãos. Temos uma limitação de mercado."
Além das diferenças econômicas que fazem com o que o SPDH fique, digamos, um pouco escanteado, ainda existem culturas que possuem limitações técnicas, como cenoura e batata. "Na colheita da batata, precisamos mexer em todo o solo, ou seja, o plantio direto tem uma limitação técnica. Na cenoura, o solo precisa ser preparado porque o produtor pode não se desenvolver bem. Uma cenoura um pouco torta já perde o valor de mercado."
John Landers é um dos pioneiros do plantio direto no Cerrado e diretor honorário da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP). Na concepção dele, o SPDH se desenvolverá em ritmo mais lento do que em grãos. "O ponto crucial (para os produtores de grãos absorverem a tecnologia) foi o lucro. Eles começaram a perceber a redução de custos para a produção de grãos. Mas a proporção do preparo do solo nos custos totais de hortaliças é muito menor do que em grãos, o que reduz a atração (no sistema). É necessário adaptações para ver se há vantagens (suficientes) para pagar isso."
Ele relata que há 15 anos participou de um trabalho com plantio direto com alho, que está em atividade até hoje. "O pessoal das hortaliças precisa entender que o sistema convencional está degradando o solo principalmente na parte física, muito similar ao que acontecia com grãos."


