''Para produzir sementes de alta qualidade é preciso ter um plantio altamente saudável, o que exige cuidados e técnicas de produção sustentável'', ensina Francisco Carlos Krzyzanowski, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), e pesquisador da Embrapa Soja Londrina. Isso significa, de acordo com ele, produzir sem agredir o meio ambiente, com manejo e nutrição do solo adequados.
Os cuidados dependem das especificidades exigidas para cada cultura. O Brasil tem hoje 612 produtores de sementes associados à Abrates. No Paraná são 217. As principais culturas no Brasil são soja e milho. Outras produções são o trigo, algodão, arroz, aveia, hortaliças, forrageiros, entre outros.
O investimento começa na aquisição da semente certificada, que pode custar até três vezes mais do que a comum. Krzyzanowski lembra, no entanto, que a semente representa apenas entre 5% e 7% do custo total da produção. Frente à produtividade do grão, não compensa para o agricultor economizar comprando um produto mais barato.
Os três maiores gastos na cultura de sementes de soja são com herbicidas, fertilizantes e no processo de colheita. O engenheiro agrônomo Romildo Birello, responsável pela área de sementes da Cooperativa Integrada, sediada em Londrina, reforça os cuidados necessários. A Integrada tem cerca de 100 produtores de sementes, com produção de aproximadamente 400 mil sacos de trigo, 500 mil de soja e 10 mil de aveia branca.
Esse grupo - chamados de cooperantes - segundo ele, foi formado levando em conta critérios importantes para a cultura: a idoneidade do agricultor, que tem que estar comprometido em aplicar todo processo corretamente e sua disposição em adotar novas tecnologias; e à localização geográfica das áreas. As sementes só se dão bem em regiões mais altas, de temperaturas mais amenas. É o caso dos municípios de Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), São Jerônimo da Serra e Santa Cecília do Pavão (ambas ao sul de Cornélio Procópio) e outras cidades do Sudoeste, na região de Pato Branco, por exemplo, como Mangueirinha.
Um cuidado essencial é em relação à aplicação de herbicidas, uma vez que a semente certificada exige praticamente o dobro do aplicações. De acordo com Birello, o nível de controle de pragas - chamado de dano econômico - varia conforme a cultura. Normalmente, explica, o nível de dano é, por exemplo, de três percevejos por metro linear. Isso significa que assim que se constatar
os insetos, deve-se aplicar herbicida. No caso das sementes, o nível cai para dois.
Além da aplicação, o manuseio correto durante toda a cultura é muito mais exigente, uma vez que é preciso garantir a pureza do produto. ''É preciso um cuidado muito grande para separar os plantios porque a semente tem que garantir sua pureza varietal, sem nenhuma mistura'', diz Birello. Isso significa que cada ''cultivar'' da semente, como é chamada, e que tem características próprias de tempo de plantio, época de floração etc, não pode se misturar a outro ''cultivar'', que terá características diferentes. (M.G.)

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