Sementes caras dificultam adesão à adubação verde
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
Carolina Avansini De Londrina 
Prática fundamental ao sistema de plantio direto, a adubação verde protege o solo e aumenta seu potencial produtivo. Nessa época em que o produtor está decidindo o que plantar durante o inverno, a técnica é sempre indicada pelos pesquisadores como solução para ocupar áreas que não serão cultivadas com lavouras de renda. A dificuldade para encontrar sementes e o alto preço praticado no mercado, porém, acabam impedindo a adesão ao sistema.
Em Londrina, os revendedores consultados pela Folha Rural ofertam poucas espécies para a adubação. Nabo pivotante, ervilhaca e aveia foram as únicas opções disponíveis, com preços em torno de R$ 1,70, R$ 1,20 e R$ 0,40 por quilo, respectivamente. O valor é alto diante da quantidade necessária para semeadura (no caso da ervilhaca, por exemplo, são necessários 60 quilos de semente). Muitas das empresas consultadas não tinham sementes disponíveis, confirmando a dificuldade em adquirir o produto.
Segundo o engenheiro agrônomo Ademir Calegari, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), grande parte dos agricultores que procura o órgão nesta época para se informar sobre a técnica quer saber onde encontrar sementes. Eles também apresentam dúvidas sobre o manejo das espécies e as plantas mais adequadas para cada região.
Produção Própria Calegari acredita que a solução para a enfrentar os preços altos das sementes é investir em produção própria. Os produtores e técnicos precisam entender que a adubação verde é um componente importante no sistema de plantio direto e por isso, precisa receber atenção, afirmou.
Ele recomenda separar uma área da propriedade para desenvolvimento da atividade. Ao produzir as sementes, o agricultor garante a prática da adubação e ainda consegue reduzir custos, comentou.
O produtor de café orgânico Alfeu Vander Bessa, de Londrina, confirma que produzir é a melhor solução para enfrentar o problema. Nas lojas o produto é muito caro e para comprar direto de outros agricultores, é difícil de encontrar, disse.
Ele garante que a técnica de produção é simples. No caso da mucuna, por exemplo, ao invés de cortarmos o pé para virar adubo, deixamos a planta amadurecer e colhemos. Depois disso, é preciso bater, como se faz com o feijão, ensinou.
Manejo Como o café é uma cultura perene, Bessa plantou feijão guandú no final do ano passado para garantir proteção durante o inverno. No caso das culturas anuais, o agrônomo Calegari recomenda iniciar o plantio em abril ou maio, de acordo com o início previsto para semear a próxima safra de verão.
É importante estar atento ao calendário para evitar que o solo fique descoberto por um período muito longo até iniciar a próxima cultura. Esse intervalo pode diminuir o aproveitamento dos nutrientes e da proteção, recomendou.
As espécies mais indicadas para cobertura de inverno são aveia preta, nabo forrageiro, ervilhaca comum ou peluda, tremoço branco ou azul e ervilha forrageirra. O manejo deve ser orientado por um técnico, para que o solo possa aproveitar melhor os benefícios.
Diagnóstico e planejamento constituem a base de todo o sistema de plantio direto, incluindo a adubação verde. A decisão, segundo o agrônomo, deve ser pautada pelas deficiências nutritivas do solo e pelas necessidades da próxima cultura. Ele também adverte que não se deve procurar plantas de cobertura mais adequadas para cada região. Cada espécie tem aspectos benéficos específicos. A escolha deve ser pautada pelo histórico da propriedade, pela situação do solo e os objetivos a serem atingidos, não há necessidade de se preocupar com espécies mais adaptadas para cada área. A cobertura precisa fazer parte de um sistema adequado, considerando o que veio antes e o que virá depois, insistiu.
Consórcio Outra recomendação importante diz respeito à associação de espécies. Calegari informou que os consórcios aumentam as chances de sucesso, pois a variedade de opções permite obter benefícios mesmo se uma das culturas for prejudicada por condições desfavoráveis, como o clima, por exemplo. Essa iniciativa também aumenta a biodiversidade, melhorando as condições de equilíbrio e diminuindo o risco de pragas.
Como cada planta é responsável por potencializar um tipo de nutriente, a cobertura deve ser usada no sistema de rotação.A repetição de culturas não é recomendável, pois favorece o aumento de pragas e doenças, alertou.
A adubação verde também deve ser utilizada pelos agricultores que vão plantar trigo ou milho safrinha no inverno. Nesses casos, deve-se usar a cobertura nas áreas que não serão cultivadas, promovendo a rotação do espaço a cada ano, complementou.
Compactação Calegari comentou que os produtores adeptos do plantio direto costumam reclamar que a prática promove a compactação do solo. Eles muitas vezes manifestam intenção de revolver a terra para resolver o problema, mas essa solução não é adequada, pois quebra a continuidade dos poros e destrói a estrutura do solo, agravando a compactação, a longo prazo. Além disso, a interferência destrói o equilíbrio conseguido com o plantio direto, salientou.
A utilização de espécies com sistema radicular desenvolvido na cobertura elimina o problema, garante. Ele indica o nabo forrageiro pivotante e o tremoço branco ou azul para aumentar a porosidade do solo durante o inverno. Além de diminuir a compactação, o nabo também serve para alimentar o gado, constituindo boa opção de agricultura integrada à pecuária. A aveia também é adequada como alimento para os animais, ressaltou.


