Semente tratada evita replantio
Os produtores paranaenses de soja levaram um susto neste começo de safra. O veranico provocado pelo fenômeno climático La Ni¤a coincidiu com o período de germinação das sementes. A estiagem chegou a 35 dias, em algumas regiões e, sem água suficiente, as sementes não tinham força para germinar e muitos produtores passaram a contabilizar os prejuízos do replantio. A surpresa, entretanto, foi maior, quando as chuvas do início de dezembro fizeram as plantas de soja emergirem normalmente.
O segredo da resistência fisiológica daquelas sementes foi o tratamento com fungicidas feito antes do plantio - uma tecnologia recomendada pela Embrapa Soja, desde 1983, para todas as regiões produtoras do País. O pesquisador da empresa, Ademir Henning, explica que no solo existe uma microflora de fungos. A semente de soja é alimento para esses agentes patógenos. O fungicida funcionou como uma armadura, impedindo o ataque dos fungos e, ao mesmo tempo, preservando a integridade fisiológica e o vigor da semente, explica.
Resistência recordeNesses anos de existência e aplicação, já havia sido comprovada a eficácia da tecnologia em condições de alta temperatura e falta de chuvas. E nesta safra a tecnologia foi mais que validada. A semente tratada alcançou índice recorde de resistência no solo, cerca de 35 dias, e germinou normalmente. Henning lembra que profissionais da assistência técnica e da extensão rural, participantes do Programa Treino & Visita, relataram, durante reunião na Embrapa Soja, os resultados do uso da tecnologia em diversas regiões. Todos enfatizaram a eficiência do tratamento de sementes e ressaltaram que os produtores que não utilizaram a tecnologia tiveram perdas sérias, sendo obrigados a efetuar o replantio, diz o técnico.
Apesar de ter germinado normalmente, o atraso no desenvolvimento da lavoura vai provocar perdas. Calculamos perda em torno de 8% a 10% no rendimento, diz Henning. O replantio causaria, entretanto, prejuízos ainda maiores. A produtividade da lavoura continuaria comprometida e seriam necessários novos gastos com sementes e outros insumos. O pesquisador ressalta que apenas os gastos com semente representam 25% dos custos com insumos e 10% do custo total da lavoura, enquanto o tratamento de sementes corresponde a 0,5%.
O problema afetou produtores de todas as regiões do Estado. Henning acredita que os danos não tenham sido drásticos, porque a utilização do tratamento de sementes vem crescendo. Na última safra, cerca de 80% da semente utilizada no País foram tratados. Neste ano, o índice deve ter sido ainda maior, avalia. Além disso, a Comissão Estadual de Sementes de Soja, neste ano, deu maior ênfase à importância do tratamento, devido às chuvas que ocorreram na época de colheita da safra 97/98. O excesso de umidade facilitou a instalação dos fungos Phomopsis sp e Fusarium sp no tegumento (casca) das sementes. Sem o tratamento as sementes seriam alvo fácil para os fungos.
AlertaO engenheiro-agronômo da Cooperativa Agropecuária União (Coagru), de Ubiratã (PR), José Carlos Braciforte, acredita que a experiência vivida nesse início de safra vale como alerta para os produtores. Ele conta que há vários anos a Cooperativa tem dado ênfase à tecnologia. Neste ano, cerca de 95% da semente cultivada nos 90 mil hectares de abrangência da Coagru foi tratada. Além de incentivarmos os produtores a adotarem a prática, nós montamos uma equipe que trata a semente aqui mesmo na cooperativa, conta.
Para ele, a tecnologia tirou muito produtor do apuro. Na região de Ubiratã, a seca perdurou por 38 dias. Temos certeza de que se as sementes não estivessem tratadas os prejuízos seriam graves, argumenta. Braciforte conta que houve um caso na região em que o produtor não tratou as sementes e teve que fazer o replantio. Mesmo em anos que chove normalmente, a adoção da tecnologia é fundamental para o bom desenvolvimento da lavoura. Agora ficou ainda mais claro a importância de tratar a semente antes de plantá-la, afirma.Dorico da SilvaEficáciaAdemir Henning: fungicida funciona como uma armaduraJosiane Schulz





