Semente na terra, esperança no coração
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sábado, 18 de novembro de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O dólar em baixa no momento do plantio, a redução no preço dos insumos, a recuperação na cotação das commodities e a previsão de um período sem adversidades climáticas tornam o cenário para a agricultura, no Paraná, um pouco mais favorável, nesta safra de verão (2006/2007). A projeção de acréscimo na produção de soja e milho confirmam o clima de otimismo. No entanto, apesar das expectativas positivas, o agricultor ainda está distante de uma situação confortável, já que vem acumulando dívidas e prejuízos, pelo menos, nos últimos três anos.
As lavouras de soja, no Paraná, ocuparão uma área de 3,95 milhões de hectares - 1,7% maior que a plantada na última safra. A estimativa é de um aumento de 28,6% na produção. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, o Estado deverá colher perto de 11,9 milhões de toneladas, contra 9,2 milhões na colheita passada, que sofreu quebra por conta da estiagem.
De acordo com o técnico do Deral, Otmar Hubner, cerca de 65% da área já foi plantada. Até o final do mês, 95% das lavouras deverão estar semeadas, atingindo a totalidade em dezembro. A área plantada com soja, lembrou ele, dobrou em relação à década de 80, quando abrangia cerca de 2,1 milhões de hectares, e a tendência é de se estabilizar nos 4 milhões de hectares.
Já a área plantada com milho 1 safra será 13% menor em relação a ano passado: 1 milhão 317 mil ha contra 1 milhão 510 mil ha. Mesmo assim, a previsão é de produtividade quase 6% maior. Deverão ser colhidas 8,15 milhões de t contra 7,7 milhões de t, no ano passado.
A técnica do Deral, Margorete Demarchi, informou que o plantio do milho 1 safra, iniciado em agosto, já atingiu perto de 90% da área. O restante deverá ser plantado até o final de dezembro. Na sequência, já começa o plantio da 2 safra, que tem seu pico em fevereiro.
Margorete desenha um cenário promissor para o milho em 2007. Além da recuperação nos preços dos produtos agrícolas de modo geral, especialmente, no último mês, a expectativa é de aumento na demanda externa. Para ela, o que ajudou o mercado do milho este ano - que registra, até outubro, o pior preço médio dos últimos cinco anos: R$ 11,93 - foram os leilões de escoamento da produção promovidos pelo governo federal. ''Isso deu condições de exportar mais. Sem muito lucro, mas foi a salvação porque, do contrário, o preço estaria muito pior'', avaliou.
O volume de milho exportado pelo Porto de Paranaguá até outubro (quase 3 milhões de toneladas), lembrou a técnica, já é 380% maior em relação a 2005, quando saíram do terminal 621 mil toneladas. O preço do milho, esta semana, estava em R$ 15,65.
Não há como se livrar por completo de surpresas desagradáveis em uma atividade que depende, essencialmente, do comportamento do clima e do mercado internacional. Mas, para Hubner, os produtores paranaenses - que já buscam a eficiência em sua atividade - devem apostar no uso da assistência técnica oferecida pelas cooperativas para racionalizar os custos com o emprego adequado dos insumos, conseguindo, com isso, bom desempenho na produção. Outro ponto importante, destacou o técnico, é estar atento ao mercado. O preço médio da soja, atual, é de R$ 29,67 a saca de 60 quilos.


