Semente é o começo de tudo
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sexta-feira, 21 de julho de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Cenário de crise pede revisão de comportamento. Se antes era comum guardar algumas sementes para cultivar a safra seguinte, hoje, isso se tornou inviável. A semente é encarada como algo mais do que um simples item na planilha de custos. Ainda porque seu custo é mínimo diante de insumos como adubo, herbicida, fungicida, entre outros. A semente é vista pelos produtores como o começo de tudo, a garantia de uma boa produtividade.
Sem poder controlar as variáveis climáticas e mercadológicas, o agricultor garante o bom andamento da lavoura com a compra de insumos de qualidade e, em primeiro lugar, está a semente. Conhecer o fornecedor, manter com ele uma relação de confiança é fundamental no momento da compra, alerta o produtor Sérgio Seiji Amano, que cultiva 150 hectares (ha) de soja, milho e trigo em Cambé. Para ele, mais importante que o preço é a idoneidade da empresa fornecedora, que deverá garantir a origem, o grau de pureza e o potencial de germinação da semente.
O agricultor Fabio Barbante de Barros, dono de 500 ha de soja, milho e trigo em Sertaneja, na região do Vale do Paranapanema, relembra que há 25 anos as sementes costumavam ser compradas somente do Rio Grande do Sul, de onde vinham sujas e misturadas com ervas daninhas. ''As sementes não eram tratadas, as variedades adaptadas eram poucas e isso comprometia a produtividade'', recorda.
''A semente gaúcha não era semente. Era o grão um pouco limpo que era tocado para frente'', rememora o engenheiro agrônomo Ralf Udo Dengler, citando que, naquela época, bastava germinar para um grão ser considerado semente.
Gerente executivo da Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, com sede em Londrina, Dengler acredita que os avanços da pesquisa com sementes foram fundamentais para o crescimento da produção agrícola nacional. ''De seis locais para testes de novas cultivares, hoje, a fundação conta com 13 postos, que contribuem para a regionalização das variedades'', aponta. ''Se antes a Embrapa fazia apenas o 'arroz e feijão', hoje pode pesquisar a fundo graças aos recursos gerados pela fundação, por intermédio dos produtores de semente'', completa Dengler.
Segundo ele, a fundação também funciona como difusora de tecnologia, por meio de dias de campo e programas de treino e visita, que capacitam técnicos e, consequentemente, produtores. Essa tecnologia que, em 2000, era difundida para apenas 2 mil produtores, hoje atinge 70 mil. ''É a forma encontrada de suprir tecnicamente o produtor. É a oportunidade de o agricultor conversar diretamente com o pesquisador e ninguém melhor do que o profissional que inventou a cultivar para explicar suas características'', afirma.


