Num momento em que a pecuária brasileira vive a euforia de tornar-se altamente competitiva no mercado internacional da carne, o cuidado com a genética dos bovinos é essencial para que o setor continue crescendo, gerando receita para o País e obtendo índices de produtividade cada vez mais precoces.
Esta é a opinião de Luiz Eustáquio Lopes Pinheiro, veterinário e presidente do Colégio Brasileiro de Reprodução Animal (CBRA). Ele destaca que para sustentar as perpectivas da produção pecuária é preciso usar material genético de qualidade.
O CBRA lançou, no início de agosto, o selo de certificação de qualidade do sêmen, durante o 14º Congresso Brasileiro de Reprodução Animal, que aconteceu em Belo Horizonte (MG), sede do Colégio. ''O selo poderá dar aos pecuaristas a confiança de que o sêmen que estão comprando tem garantia e fertilidade,'' explica Pinheiro. O Colégio será a entidade responsável por esta certificação.
Como vai funcionar Além de empresas que realizam o processamento e a comercialização de sêmen congelado, podem participar pecuaristas que têm centrais de coleta de sêmen na propriedade. Pinheiro acredita que em breve o País poderá estar vendendo não só carne e genética, mas também conhecimento e tecnologia de controle de qualidade e produção.
''A certificação de qualidade é expedida mediante um convênio firmado entre a instituição e a empresa que desejar ter seus procedimentos reconhecidos e autenticados por especialistas em genética,'' afirmou Pinheiro. Na emissão do selo, segundo o presidente do CBRA, não há critérios específicos. ''O selo será conferido às empresas que julgam apresentar diferenciais em relação aos padrões oficiais e que queiram autenticá-los'', explica. Os trabalhos têm custo para as indústrias de aproximadamente US$ 3 mil e para empresários rurais de cerca de US$ 2.400.
Pinheiro acredita que esse processo não vai interferir no ambiente de concorrência e sim incentivar as indústrias a se aprimorarem cada vez mais. Ele prevê que o Colégio poderá fornecer basicamente dois tipos de selo. ''Um que atesta o cumprimento das regras básicas, exigidas por lei e outro para acrescentar algum predicado a mais.''
Exigências Segundo o presidente do CBRA, a exigência mínima para certificação é de que as empresas cumpram a legislação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em relação ao processamento e venda de sêmen de bovinos.
A legislação federal determina normas quanto aos aspectos de sanidade animal e zootécnicos e aos padrões que determinam o potencial fecundante do animal, como a concentração mínima de espermatozóides, de 10 milhões de células viáveis por centímetro cúbico no ejaculado de um touro.
Há também exigências quanto ao percentual de, no mínimo, 30% de espermatozóides se movimentando no campo microscópico e de, no máximo, 30% de células defeituosas nas quantidades de material genético analisado.
Além dos trabalhos de certificação, no ato do convênio a indústria passa a ser uma associada ao colégio e ter disponíveis serviços da instituição nas áreas de reprodução, rastreabilidade e manejo dos animais, entre outros métodos aplicados à bovinocultura, ao custo de uma anuidade de US$ 800. Para os pecuaristas a anuidade para se tornar sócio é de US$ 400. Há exigências ainda de que o técnico que presta assistência à propriedade seja credenciado pelo CBRA para que os procedimentos sejam uniformes.
Garantia de sanidade O Colégio, de acordo com o presidente, tem 600 especialistas qualificiados para avaliar a qualidade do sêmen. ''A empresa deve cumprir o que a lei manda, mas outros itens deverão demonstrar que, além disso, executa um sistema de gestão interna calcado nas normas Iso, faz uso de tecnologia avançada para tratar animais, alimentar, processar o sêmen colhido e colocar a disposição do produtor brasileiro um produto de qualidade para usar nos animais,'' admite Pinheiro. O primeiro convênio para certificação do sêmen, segundo ele, já foi assinado com a empresa Lagoa da Serra, de Sertãozinho (SP).
De acordo com Pinheiro o Colégio de Reprodução Animal estuda também a criação de normas técnicas para produção de alimentos de origem animal; '' assim como existem normas para aferir qualidade de outros alimentos, queremos desenvolver regras para o setor, desde a propriedade até o processo industrial, a fim de dar satisfação à sociedade de que tudo o que os técnicos estão fazendo na produção possa resultar num produto saudável.''

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