Semeando os campos do Paraná
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sábado, 28 de novembro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Opção para diversas finalidades, em momentos de festividades ou de luto, as flores têm um mercado potencial no Norte do Paraná, onde a tímida colheita se limita a um volume mínimo de crisântemos e kalanchoe e um número ainda mais reduzido de rosas (essas em Marialva - noroeste do Estado), gérbera e orquídea. Segundo estatísticas, 98% do volume de flores consumidas na região vêm de fora, sobretudo do interior de São Paulo.
Produtores da região alegam que a principal dificuldade em ampliar a produção é a falta de um espaço de comercialização. Hoje, o incipiente comércio é feito na Ceasa ou de porta em porta - entrega direta nas floriculturas. Mas a floricultura está sendo encarada como alternativa, principalmente para pequenos produtores e para a agricultura familiar. Tanto que a Região Metropolitana de Londrina encabeça o processo de implantação do Polo Florícola (ver matéria nesta página).
A experiência do produtor João Ossamu Kokubo, de Marialva, comprova o potencial florícola do Paraná. Ele que passou pela produção de café, hortaliças e uva - em que foi campeão, nos últimos seis anos cultiva rosas e se diz satisfeito com o resultado. ''Sustento minha família com a produção de cerca de 300 dúzias de rosas por dia'', afirma. Kokubo cultiva atualmente dois hectares e tem mais um em implantação. O valor recebido, de R$ 5,00 a R$ 6,00 no atacado e de R$ 10,00 a R$ 12,00 no varejo por dúzia, possibilitam ganho em torno de 15%.
O exemplo da família Kokubo traduz as atuais condições da floricultura no Estado. Os campos de rosas foram implantados com recursos próprios, resultado do trabalho de dois filhos no Japão. ''Até agora, a atividade não dispõe de crédito'', diz, acrescentando que o custo da lavoura foi de R$ 100 mil.
Kokubo vive a dinâmica da produção e comércio de flores. ''Muitas pessoas acham que com a mercadoria pronta, já está tudo resolvido'', afirma. Porém, destaca, o produto tem que ser levado para a comercialização, o que significa ter local adequado para o armazenamento e caminhões refrigerados para o transporte. O produtor cita também o clima como um dos aspectos importantes do sistema. ''No verão, por exemplo, temos uma temperatura até amena pela manhã e um forte calor à tarde'', diz. Segundo ele, o problema será minimizado com uma estufa, atualmente em construção.
O produtor de Marialva é um entusiasta das ações de incentivo aos produtores. ''Acho muito interessante o projeto do polo florícola'', opina. Para ele, além do local de comercialização, os produtores serão beneficiados pelo crédito. ''Hoje é muito difícil iniciar e se manter na floricultura'', avalia. Kokubo cita o seu caso como exemplo: ele e a família usaram recursos próprios para implantar os campos de cultivo. Mas afirma que a destinação dos finaciamentos deve ser criteriosa. ''Há muitos aventureiros que podem não persistir na atividade'', alerta.
Outro argumento para a defesa do polo é o potencial agrícola do Estado. ''Tudo o que o Paraná cultiva, produz bem'', diz. Ele lembra que quando o Estado iniciou a produção de uva itália, o grande fornecedor da fruta era São Paulo. ''Hoje a uva paranaense abastece o mercado local e o de outros estados'', comemora.


