Semeando certo para colher melhor
O alerta vem dos pesquisadores Eleno Torres e Cézar Mesquita, da Embrapa Soja, e Antonio Carlos Gerage, do Iapar. As perdas na colheita devem ser prevenidas desde o planejamento da lavoura, antes mesmo da implantação, afirma Gerage. Na realidade, o produtor que plantar e conduzir corretamente sua lavoura tem diversas vantagens, além da redução do desperdício na colheita. Os ganhos vêm através de produtividades elevadas e maior rentabilidade, devido à redução de custos.
Para os pesquisadores, considerar o item perdas na colheita na hora de planejar a lavoura é fundamental. O Brasil desperdiça anualmente cerca de 1,2 milhão de toneladas de soja e cinco milhões de toneladas de milho na hora de colher.Isso é inadmissível em qualquer situação, ainda mais por existirem tecnologias para evitar o desperdício, diz Mesquita. Para o produtor, é jogar dinheiro fora, completa Gerage.
As recomendações dos pesquisadores são para quem está planejando ou implantando as lavouras de milho e soja. São cuidados que vão desde a escolha da cultivar até a conservação da maquinaria, passando por técnicas de manejo cultural.
Segundo Gerage, o planejamento é fundamental para evitar perdas, além de trazer outros benefíciosRecomendaçõesO primeiro passo é o preparo do solo, que deve ser feito o mais próximo possível da semeadura. Para que a colheita transcorra sem problemas o solo deve estar nivelado, prática a ser adotada antes do plantio. Os desníveis na área a ser colhida provocam oscilações na barra de corte da colhedora. Para a soja, o corte desuniforme pode fazer com que muitas vagens deixem de ser colhidas, explica Mesquita.
Torres lembra que na hora de preparar o solo, o produtor não pode se esquecer de tomar os devidos cuidados, para evitar a compactação. O nivelamento do terreno é feito apenas na semeadura convencional. A recomendação, tanto para a soja quanto para o milho, é que sejam feitas uma aração (de preferência com implementos de dentes, como o escarificador, à profundidade entre 25 e 30 cm) e no máximo duas gradagens.
O solo deve estar também devidamente adubado, corrigido e sem camadas compactadas. Isso permite a emergência e o desenvolvimento uniforme das plantas. Para atingir uma boa fertilidade de solo é importante adubá-lo conforme análise, afirmam os pesquisadores. O solo fértil fornece melhores condições para o crescimento da planta. Assim, no caso da soja, as plantas ficam mais vigorosas e mais altas, aumentando também a altura de inserção de vagens. Isso é importante na hora de colher, porque a barra de corte fica um pouco acima do solo. Se as vagens estiverem muito baixas, a perda é certa, explica Torres.
ConservaçãoTorres: solo bem preparado e protegido contra a erosãoCultivaresEssa prática deve ser complementada com o plantio na época recomendada, densidade adequada e uso de cultivares com boas características fisiológicas. Para o milho, Gerage recomenda a utilização de híbridos de porte médio ou baixo, que sejam resistentes ao quebramento e ao acamamento. A inserção de espigas deve ser uniforme, afirma o pesquisador. Com as espigas praticamente na mesma altura, em toda a lavoura, não há necessidade de ficar alterando a posição da plataforma da colhedora - prática que pode desregular a máquina, causando perdas.
A semeadura fora da época prejudica o desenvolvimento das plantas, enquanto a densidade inadequada pode ocasionar problemas, como o acamamento. Tudo isso proporciona o aumento das perdas na colheita, porque dificulta ou mesmo impossibilita o bom desempenho da máquina, diz Mesquita.
Ao semear o milho, o produtor deve estar atento para a compatibilidade entre a semeadora e a colhedora. O número de linhas da semeadora deve ser igual ou múltiplo ao da colhedora, para não haver desencontro de espaçamento, diz Gerage. Outro aspecto importante é planejar a lavoura de forma que a colheita possa ser feita em etapas. Dividir a área em glebas e plantar em épocas diferentes é uma opção. Assim pode-se colher com mais calma e ao mesmo tempo potencializar o uso da máquina. A operação de colheita é feita continuamente, afirma Gerage.
TreinamentoCom as lavouras de milho e de soja instaladas, a principal preocupação passam a ser as plantas daninhas. A ocorrência de infestação dificulta a operação de colheita. Além disso, elas podem ocasionar o apodrecimento do colmo do milho, o que causa a quebra da planta. Na hora da colheita o excesso de plantas daninhas causa o embuchamento da máquina.
A manutenção da colhedora deve ser feita com frequência. O produtor também não deve se esquecer do treinamento do operador da colhedora, oferecido pela Embrapa e pela Emater. Não adianta conduzir bem a lavoura, se na hora de colher a máquina estiver desregulada ou ser operada indevidamente, diz Mesquita.Dorico da SilvaMesquita: existem tecnologias para reduzir o desperdícioJosiane Schulz





