Semeando boas iniciativas
Na comunidade do Arroio, além da família de Roberto Carlos dos Santos, outras sete famílias de agricultores também são adeptas da agroecologia e dão um exemplo de boas práticas. Assim como Santos, quase todas saíram ou estão saindo da fumicultura para tentar novas alternativas de renda na agricultura.
É o caso de Maria Aparecida dos Santos, 46 anos, que está tentando plantar outras histórias na sua vida. A propriedade de 2,5 alqueires já tem espaço separado, onde há cerca de quatro anos é cultivado com a produção de alimentos, dos mais variados. A atividade agroecológica ainda convive com a fumicultura, apenas por necessidade, segundo ela. Mas nos seus planos está a intenção de abandonar a produção de fumo.
Na verdade quem lida mais com o fumo é meu filho e meu marido. Mesmo assim de vez em quando vou ajudá-los. Mas não quero mais isso para ninguém. É um trabalho muito pesado, sofrido e que ainda faz mal para a família e para quem consome, diz, mostrando a produção de hortaliças e revelando que todos os dias vai cuidar do local. É um trabalho mais leve, mais gostoso, não tem riscos para a saúde. Pelo contrário, aqui estou produzindo vida, afirma, contando que sua alimentação é feita com os alimentos produzidos ali mesmo na sua propriedade.
Amparados pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento, órgão ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e com o apoio da Petrobras, por meio do projeto Águas em Movimento, os agricultores familiares do local estão mudando suas histórias. A Conab garante a compra dos alimentos produzidos de forma sustentável. A Petrobrás financiou a construção de fossas com bananeiras e biofossas em alvenaria para garantir o aproveitamento da água nas propriedades rurais.
Antes, as famílias não se importavam com o lixo jogado nas propriedades. Havia muitos esgotos abertos e fossas no meio das hortas, aponta Gelson Luiz de Paula, presidente da Associação dos Grupos de Agricultura Ecológica São Francisco de Assis (Assis). Além desses cuidados, hoje os produtores também produzem seu próprio adubo e fazem compostagem, com a sobra da produção.
Segundo ele, após a parceria com as duas entidades, foram criadas as biofossas que servem como filtro para separar o sólido do líquido, onde a água é drenada e filtrada, servindo entre outras coisas para regar as hortaliças. Nas fossas com bananeiras, aproveitam-se as folhas e o tronco para absorver a água. As fossas biológicas também trouxeram outras melhorias aos agricultores familiares do local, pois garantem a certificação da propriedade e a qualidade dos alimentos.
Conforme De Paula, a Assis nasceu em 2003 com a intenção de mostrar novos caminhos para os produtores que trabalham com o fumo. Atualmente a entidade atende cerca de 10 comunidades, somando perto de 120 famílias, espalhadas nas cidades de Irati, Fernandes Pinheiro Teixeira Soares, Inácio Martins e Rebouças. O número ainda é pequeno, admite ele, diante da realidade da atividade agrícola do local. Mas já é o começo, resume, ressaltando que o apoio da Conab, Petrobras, secretarias municipais de agricultura e demais parceiros são fundamentais para que os produtores continuem produzindo alimentos agroecológicos. (E.Z.)





