Sem um palmo de terra
Em 2007, a fazenda que abrigou a primeira lavoura de plantio direto do Brasil foi vendida. Herbert Bartz entregou a Rhenânia a um grupo de Arapongas depois de um projeto malsucedido no Mato Grosso e de enfrentar alguns problemas de saúde - passou por uma cirurgia na coluna e agora conta com a ajuda de uma bengala para caminhar. Ele não descarta a possibilidade de comprar terras novamente, até diz que isso deve acontecer em breve, mas no momento o homem que trouxe o plantio direto para o Brasil não está produzindo.
Mesmo com saudade da terra, ele não se mostra magoado, mas recompensado pelas contribuições que deu à agricultura. ''A homenagem que vou receber das mãos do presidente me deixa honrado e orgulhoso. Porém, o que me deixa mais feliz é poder realizar um sonho de infância, que é produzir sem agredir a natureza. Quando apresentamos o projeto de plantio direto do Brasil voltado às pequenas propriedades em um congresso realizado em Madri, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o Banco Mundial passaram a recomendar que o projeto brasileiro fosse adotado no mundo todo''.
Convidado a dizer o que espera de um panorama da agricultura brasileira para um futuro próximo, o ''alemão'' é objetivo. ''Precisamos de um conceito mais amplo de produção agrícola. Sem derrubar uma árvore, o Brasil pode triplicar a produção de grãos e de carne. Se as áreas de pastos degradados forem utilizados para produzir grãos, em pouco tempo haverá uma terra melhor para voltar a abrigar pastagens. Tudo isso de forma sustentável. Precisamos dessa integração. Aposto nela'', finaliza Bartz. (W.S.)





