Em Santa Tereza do Oeste, encontramos mais um dos ‘‘professores pardais’’ da agricultura. É o mecânico Francisco Sgarbossa, 55 anos, que trabalhou na lavoura até pouco mais dos 20 anos. Ele é responsável pela criação de um pulverizador e uma plantadeira de tração animal ou mesmo para pequenos tratores. ‘‘Bastam alguns ajustes no engate’’, resume.
  Os dois inventos já estão disponíveis no mercado há mais de 10 anos, e, com o perfeccionismo do criador, passam por constantes evoluções. ‘‘Até o final deste mês estamos lançando os novos equipamentos, que irão facilitar ainda mais o manuseio’’, anuncia.
  Sgarbossa conta que sempre gostou de inventar, mas as dificuldades sofridas na lavoura também foram responsáveis pelo incentivo. Além disso, tem um lema de vida repassado, segundo ele, por um conhecido que ‘‘já amanhecia embriagado’’: ‘‘Não se fala que as coisas não dão certo. Tudo dá, basta um jeitinho e ir até o fim’’, ensina.
  A plantadeira, adaptada ao sistema de plantio direto, pode ter de uma a três linhas, e custa de R$ 2,3 mil a R$ 4,8 mil. Ele já produziu de até seis linhas para ser utilizada por tratores pequenos, mas aí, sob encomenda. O peso da máquina vazia é de 290 quilos. Sgarbossa cuida da produção da maioria das peças com o auxílio do filho Flávio, 18 anos. ‘‘Comprava basicamente os discos e as caixas de semente’’, conta. Mas agora, graças a suas invenções, ele está produzindo também as caixas plásticas. ‘‘Juntei umas peças velhas e construí o forno de que precisava para fabricar as caixas’’. O forno com capacidade de aquecimento de 240 graus, custou R$ 1,2 mil. ‘‘Haviam me pedido R$ 35 mil para construirem um modelo parecido’’, informa.
  Já o pulverizador não perde em nada para os equipamentos das grande multinacionais, possui barra de sete metros, com 14 bicos antigotejo, dois pistões com desengate automático, válvula para controle de pressão, manômetro, filtro de linha e ainda controle de regulagem de altura da barra e do assento do operador. O tanque tem capacidade para 250 litros. ‘‘Com tração bovina dá para pulverizar até 3,5 alqueires/dia e, com cavalo, atinge 5,5 alqueire/dia’’, garante.
  Atento às necessidades dos pequenos produtores de sua região, Sgarbossa, também está produzindo uma máquina para fazer maravalha (raspas de madeira utilizadas como cama em aviários). ‘‘Fiz uma maquete de madeira e fui ajustando pra torná-la o mais funcional possível’’, diz o inventor transmitindo muita confiança no que faz.
  O produto, como afirma, é mais ágil e menos barulhento que o oferecido pelo mercado. Um motor de 7,5 HP toca a máquina que tem um rendimento de 2,5 metros de maravalha por hora. Uma cooperativa avícola da região, segundo ele, já testou o equipamento e está recomendando a aquisição do mesmo para grupos de produtores. (C.G.)

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