Sem perspectivas para os pequenos
Cristina Côrtes
De Londrina
Da mesma maneira que estão acontecendo as fusões entre grandes grupos na área industrial, a atividade agrícola também começa a passar por transformações que estão levando a grandes concentrações de propriedades e de investimentos. Os agricultores americanos, assim como os brasileiros estão preocupados com o que pode acontecer num futuro bem próximo.
Durante visita de produtores e presidentes de Sindicatos Rurais do Paraná aos Estados Unidos, entre os dias 1º a 9 deste mês, promovida pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), foi possível constatar as dificuldades que os pequenos e médios produtores terão para enfrentar a produção em escala.
GrandesNo Estado de Indiana, no Meio-Oeste americano, o fazendeiro Wallace Laird, membro do Farm Bureau local, comentou que na sua região estão sentindo o problema bem de perto. Na região está sendo construída uma grande leiteria, Fair Oaks Dairy, para abrigar 3 mil vacas. Esta é apenas a primeira etapa de um projeto que vai explorar 12 mil vacas.
O produtor explicou que o projeto é resultado da reunião de várias famílias que trabalham com gado de leite e resolveram montar um projeto único. Wallace disse que esse projeto deve mudar o perfil da região, com muitos produtores deixando de plantar milho ou soja, para produzir silagem para abastecer a grande indústria de leite. Com o uso de altissima tecnologia, a big farm pode mesmo ser chamada de uma indústria, deixando para trás certos conceitos do que é uma propriedade rural.
Na opinião do diretor-secretário da Faep, Livaldo Gemin, a agricultura está inserida num sistema econômico capitalista que tende a crescer cada vez mais em escala, exigindo investimentos e organização do produtor. Depende hoje do nosso produtor buscar alternativas para enfrentar a competitividade, comentou, acrescentando que a agricultura brasileira precisa encontrar um modelo próprio. E o objetivo da viagem técnica é exatamente este, possibilitar que nosso produtor conheça a agricultura americana, considerada uma das mais avançadas do mundo, e tenha parâmetros para avaliar e buscar soluções.
Nos Estados Unidos, de maneira geral, já não existem produtores com áreas pequenas como aqui no Paraná. Na região visitada. conhecida como Corn Belt, cinturão do milho que inclui os Estados de Illinois, Michigan, Indiana e Iowa, as propriedades têm no mínimo entre 1.000 e 1.500 acres, o que corresponde a uma área entre 400 e 600 hectares.
A jornalista Cristina Côrtes acompanhou visita dos produtores aos Estados Unidos, a convite da Faep.





