Curitiba - A escolha das espécies contou com ajuda do Museu de História Natural do Capão da Imbuia, em Curitiba, cujos conhecimentos adquiridos, durante 15 anos, sobre a bacia nortearam a escolha das espécies e pontos de captação dos peixes, que são oito, dentre eles, a represas do Passaúna, Piraquara e Iraí, além dos rios Passaúna, Pequeno e Meringuava. Somente nos rios o projeto faz a captura e soltura efetiva dos jundiás. O Rio Iguaçu, que dá nome a bacia não oferece condições de sobrevivência para os peixes.
Em maio deste ano, o projeto introduziu, pela primeira vez, três mil jundiás no rio Passaúna, e agora trabalha para reproduzir mais indivíduos que irão repovoar o rio Pequeno. ''Não soltamos 50 mil indivíduos para não gerar impacto ambiental. Também temos o cuidado de não misturar materiais genéticos, respeitando o local de captura das matrizes para depois soltar os filhotes no mesmo ponto. Isso para que não provoquemos possíveis desequilíbrios dos ecossistemas e até o declínio de populações'', esclarece Peter Kirschnik.
Existe um histórico de piscicultura, no Brasil, de mistura de materiais genéticos, fazendo repovoamento de rios com peixes provenientes de lugares diferentes ou mesmo com espécies exóticas ou invasoras, como carpas e tilápias. ''Poderíamos trazer jundiá do Rio Grande do Sul, mas isso não seria responsável. O conhecimento científico nos diz que não devemos agir dessa forma, não é ético, agride a biodiversidade'', pontua ele, dizendo que uma avaliação preliminar indica que a saúde genética das populações do jundiá e do lambari do Alto Iguaçu é boa. ''Quanto maior a variabilidade genética, melhor é a saúde'', explica ele.
O Departamento Genoma da PUC-PR é quem faz os estudos genéticos das amostras recolhidas e pesquisa a possibilidade de existir diferenciação genética entre as populações de jundiá do Passaúna e do Rio Pequeno, ou seja a descoberta de uma nova espécie. As pesquisas devem ser concluídas até julho de 2008, quando termina o projeto. ''Até lá também devemos gerar dados do monitoramento sobre alterações da estrutura genética dos peixes que foram introduzidos ao habitat natural'', disse ele, acrescentando que os peixes reproduzidos poderão ser identificados geneticamente (com a extração do DNA genômico) no futuro. (F.G.)

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