A centrífuga começa a girar lentamente e o cheiro de mel vai logo invadindo a sala que até então exalava linguiça defumada que provavelmente deve ter sido o destaque do curso anterior. A aula em que os alunos aprendem como se extrai mel dos favos faz parte do curso de apicultura, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Pelo menos seis vezes por ano, interessados no reino das abelhas se reúnem no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) da Faep, em Ibiporã, para três dias de curso, incluindo aulas teóricas e práticas.
Ver o mel escoar pela torneira da centrífuga é a parte final do curso de 24 horas/aula. O instrutor Luis Shimizu conta que primeiro os alunos têm noções de como montar uma colméia, como capturar abelhas e, principalmente, como manter um apiário funcionando.
O ponto alto acontece no segundo dia, quando os aluno vão até as colméias para fazer a colheita dos favos.
''Para ser apicultor é fundamental que a pessoa não seja alérgica a picadas de abelhas'', explica Shimizu. Isso não significa que não se tome o devido cuidado. Para ir até as colméias, é preciso cuidado com a vestimenta. Um macacão de brim branco combinado com máscara e fumegador. ''Abelha não gosta de cor escura'', revela o professor.
''Costuma-se dizer que a fumaça 'tonteia' a abelha, mas a verdade científica é que ela simula um incêndio e o instinto de sobrevivência faz com ela encha o papo de mel. Isso dificulta a picada porque ela não consegue dobrar o ferrão e também porque ela não vai querer desperdiçar o mel'', ensina Shimizu.
O perigo, segundo o professor, é um ataque em massa. ''Quando uma abelha pica, o ferrão libera um feromônio de ataque, o que chama outras abelhas'', diz. ''Para quem foi picado, o ideal é retirar o ferrão e passar a fumaça no lugar para liberar o feromônio'', avisa.
Com os favos retirados, chega a hora da extração do mel. Segundo o professor, a abelha produz o mel perfeito, a manipulação é que pode atrapalhar. É por isso que os cuidados com a higiene são fundamentais. ''De dois, três anos para cá, a apicultura brasileira teve um incremento bom por causa dos problemas com o mel da China, contaminado com antibióticos. Europa e Estados Unidos deixaram de comprar e passaram a procurar o mel brasileiro'', conta. Não por acaso, o curso que terminou na quarta-feira estava com sua capacidade máxima de 15 alunos.
Antes de ir para a centrífuga, as melgueiras que contêm os favos precisam ser bem limpas (é preciso raspar as impurezas da madeira com facas ou canivetes). Depois vão para a mesa desoperculizadora, onde se retiram os opérculos, que é o mel maduro. Aí sim, está tudo pronto para a centrífuga. E o cheiro doce vem logo em seguida.

Serviço: Curso de Apicultura Dias 7, 8 e 9 de junho. Informações pelo telefone: (43) 258-2533. Inscrições gratuitas para produtores rurais, familiares e funcionários.

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