Sem medo da gripe aviária
A ocorrência dos focos de gripe aviária também têm sua ''pitada'' de responsabilidade na crise da avicultura de postura. Pois, para os produtores, ela dissemina o medo. Odilon Douat Baptista Filho, chefe da Seção de Sanidade Avícola da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seab, informa que o Estado já se mobiliza para criar estruturas que agilizem o diagnóstico aviário.
No ano passado, a resolução 102/2005 criou uma rede de influência para tratar o assunto. Um projeto já aprovado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia prevê a transformação do laboratório da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no local para esse tipo de diagnóstico, habilitado pelo Ministério da Agricultura. O local segundo ele é o oferece mais condições para as questões de biossegurança. ''Aguardamos a palavra final do governador (Roberto Requião)''.
Esta semana, notícias foram publicadas em vários veículos de imprensa, de que a Embrapa estaria afirmando que a doença chegaria ao país em setembro deste ano. A pesquisadora Liana Brentano, da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia (SC), desmente dizendo que ''hoje, existe a possibilidade, até mesmo, da doença não ser registrada no Brasil. Portanto, é temerário fazer afirmações definitivas com base em probabilidades''.
Douat também tranquiliza o consumidor dizendo que no Paraná o risco de contaminação é menor, pois não está na linha migratória das aves aquáticas vetores da doença. No País há a presença de aves vindas dos Estados Unidos na região da Lagoa dos Patos (RS) e numa faixa litorânea do Norte e Nordeste, onde há o monitoramento de zoonoses. ''O vírus existe há mais de 100 anos, nos últimos 12 anos há registros de mutação e contaminação de seres humanos com registros esporádicos de morte. Os que morrerram eram pessoas que, com certeza, estavm muito fragilizadas''. Douat finaliza dizendo que o vírus é termolábil, ou seja, não sobrevive a aquecimento de 65ºC.
Douat cita também o trabalho de fiscalização para o controle de enfermidades nos estabelecimentos de reprodução. As aves matrizes são vacinadas e passam por exames bacteriológicos. ''Queremos evitar a postura de ovos doentes e assim, pintinhos doentes'', frisa. O controle ocorre com mais intensidade no início do alojamento das aves e depois a cada três meses. Os pintinhos são vacinados antes de seguirem para as granjas de postura.
Ele admite que a fiscalização não chega à avicultura de postura comercial, mas ressalta a preocupação dos donos de granjas em manter a sanidade das aves. ''Por iniciativa dos produtores, essas aves recebem novas doses de vacina no período de 28 a 60 semanas. Ninguém quer prejuízos com o plantel'', diz. (C.G.)





