Cristina Côrtes
De Londrina
A agricultura de precisão é um pacote tecnológico que ainda está sendo avaliado pelos pesquisadores brasileiros. Os testes até agora não são conclusivos em relação a ganhos de produtividade. Na opinião do pesquisador e professor da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiróz (Esalq), José Paulo Molin, a nova tecnologia é um investimento na informação e conhecimento de cada propriedade, e deve trazer retorno econômico a médio prazo.
A agricultura de precisão nada mais é do que a agricultura localizada, na qual o produtor não trabalha mais pela média, e busca tirar o melhor de cada pedaço do solo. Neste contexto, o Sistema de Posicionamento Global, conhecido como GPS, é apenas uma ferramenta. ‘‘Tem muita gente que confunde os termos, e o GPS acabou virando um sinônimo de agricultura de precisão, que é um sistema mais amplo e reúne várias tecnologias’’, explica Molin. A compra do equipamento por si só não vai garantir aumento de produção nem redução de custos para o produtor.
Ferramentas modernasA agricultura de precisão é um novo conceito que orienta um modo mais preciso de explorar a terra, mais racional e com menor impacto no meio ambiente. O conceito foi divulgado atrelado à utilizacão de equipamentos sofisticados, que permitiriam a aplicação de insumos agrícolas nos locais corretos e nas quantidades adequadas.
Colhedoras equipadas com GPS e sensores eletrônicos são utilizados para o mapeamento da colheita no campo, permitindo a identificação de vários parâmetros como áreas de maior ou menor produtividade. O georreferenciamento dos pontos de coleta de amostras de solo, por exemplo, permite o mapeamento de variáveis importantes para o processo produtivo, como a disponibilidade de nutrientes, pH do solo, etc. O SIG, Sistema de Informações Geográficas, é utilizado para o armazenamento, tratamento, análise e visualização das informações espaciais coletadas no campo, e permite a tomada de decisões com base na análise dos dados.
O pesquisador Molin informa que a nova tecnologia está em testes em várias áreas-pilotos na Esalq, e também em algumas propriedades do Estado de São Paulo, e outras no Paraná, na região do ABC. ‘‘Os resultados demoram, porque tem que ser acompanhada safra por safra. Estamos elaborando agora os primeiros mapas de produtividade’’, comenta Molin.
Resultados semelhantesMuitos pesquisadores questionam a necessidade de novos investimentos nestes tipos de equipamentos. Para o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), João Henrique Caviglione, ‘‘a adocão da nova tecnologia não passa necessariamente pela compra de equipamento. O produtor pode fazer agricultura de precisão sem GPS.’’
Segundo o agrônomo Joaquim Mariano da Costa, chefe da Fazenda Experimental da Coamo, o produtor pode alcançar bons resultados, fazendo agricultura de precisão, sem compra de equipamentos caros. Há dois anos, a cooperativa iniciou um projeto dentro do conceito de agricultura de precisão.
Padronizaram um aparelho para colher amostras de solo e treinaram seus associados. ‘‘Orientamos nossos associados a colher uma amostra para cada 20 hectares. E nestes 20 ha devem-se fazer 12 perfurações com profundidades específicas, e posteriormente misturar essas 12 coletas, que se transformarão numa amostra’’, explica Joaquim. Além da análise de solo, a Coamo tem recomendado a análise foliar.
Para incentivar os associados a adotarem as novas práticas, a Coamo criou um programa de financiamento, parcelado, para correção de solos, com juros baixos, mas ao qual só tem acesso quem segue à risca as recomendações. É o Programa Coamo de Fertilidade do Solo. ‘‘O produtor precisa saber que não adianta querer corrigir o solo, se ele não tem uma informação correta sobre as condições deste solo’’, alerta Joaquim.
Riqueza de informaçõesPara o pesquisador da Esalq, o mais importante dessa tecnologia está na riqueza de informações que podem ser obtidas pelo produtor. ‘‘É uma mudança de conceito para o produtor que começa a se preocupar mais em conhecer sua propriedade. Não se deve investir na tecnologia, esperando resultados imediatos’’, diz.
O GPS é uma ferramenta importante do sistema e o conhecimento de suas limitações, assim como de suas potencialidades, é de extrema importância para uma melhor performance da agricultura de precisão. Essa técnica já está sendo aplicada em países tecnologicamente mais avançados como os Estados Unidos, Canadá e Europa.
Segundo Molin, nesses países a adoção está acontecendo numa velocidade menor do que a esperada, mas já bastante significativa. A tecnologia começou a se tornar um produto comercial nos EUA por volta de 93/94, e atualmente 30% das propriedades já a estão utilizando.
‘‘Para fazer o mapa de fertilidade o GPS é uma tecnologia fantástica’’, diz Joaquim. Mas, o produtor não precisa comprar o equipamento, e pode contratar uma empresa para fazê-lo. ‘‘Os custos dessas máquinas são muito altos para o nosso produtor. E, mesmo sem equipamentos caros, mas conseguindo obter as informações e máquinas bem reguladas, o produtor pode alcançar bons resultados’’, conclui Joaquim.
Segundo o pesquisador Molin, a tendência aqui no Brasil, como já acontece nos EUA, é que empresas especializadas façam o serviço de mapeamento da fertilidade, e também das aplicações racionais de insumos como adubos e pesticidas.

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