O herbicida é utilizado mundialmente no manejo de mais de 150 ervas daninhas, com papel crucial na viabilização do SPD no Brasil
O herbicida é utilizado mundialmente no manejo de mais de 150 ervas daninhas, com papel crucial na viabilização do SPD no Brasil | Foto: Marcos Zanutto



O mundo do agronegócio virou de ponta cabeça esta semana devido a uma decisão judicial que está bem distante da realidade do manejo da cultura da soja no País. Em decisão da 7ª Vara de Brasília, a juíza federal substituta Luciana Raquel Tolentino de Moura, mandou suspender os registros e o uso de agroquímicos que contenham abamectina, glifosato e tiram, até que seja concluído um processo de reavaliação toxicológica. A suspensão - especialmente do glifosato -, segundo a Aprosoja (Associação Brasileira de Produtores de Soja do Brasil) e diversas outras entidades - inclusive de pesquisa - simplesmente inviabiliza a safra 2018/2019 da cultura. A decisão cabe recurso.

Às vésperas do início do plantio da oleaginosa no Paraná e outros estados, a proibição do herbicida - pensando que os volumes monstruosos do grão estão embasados em toda a tecnologia da soja transgênica e a aplicação do defensivo sem danos para a lavoura - não condiz com a realidade de manejo dos produtores.

A FEBRAPDP (Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação) manifestou preocupação com a decisão judicial de proibir o uso do glifosato. Em nota, o diretor da entidade, Jônadan Hsuan Min Ma, diz não questionar a reavaliação toxicológica do glifosato nem de qualquer outro produto, entretanto reforça que qualquer decisão a ser tomada no campo legal e regulamentar seja embasada solidamente na ciência e tecnologia.

"Pelo fato do Brasil ser um país tropical, a realização de uma agricultura sustentável depende da utilização de tecnologias como o SDP (Sistema Plantio Direto) que permite semear sem revolver o solo, que permanece coberto permanentemente com palha e plantas vivas, cuja diversidade de raízes promove o manejo biológico do solo ao invés do uso de arados e grades. O herbicida glifosato é utilizado mundialmente no manejo de mais de 150 ervas daninhas em superfície, desempenhando um papel crucial na viabilização do SPD no Brasil, evitando a mobilização e desgaste dos solos em grande escala. Sua retirada repentina do mercado causará graves impactos à agropecuária nacional, desde a diminuição drástica da produção de grãos até a volta dos problemas de erosão levando ao assoreamento dos rios em diversas regiões do País", relatou.

POSICIONAMENTO DA MONSANTO
A Monsanto também se manifestou a respeito da decisão judicial. Em nota, ressaltou que o defensivo "é uma ferramenta vital para a agricultura brasileira". "Como todos os produtos herbicidas, o glifosato é revisado rotineiramente pelas autoridades regulatórias para garantir que ele possa ser usado com segurança."

Segundo a empresa, mais de 800 estudos e análises científicas concluíram que o glifosato é seguro para uso, incluindo a Anvisa e outras autoridades reguladoras nos EUA, Canadá, Japão e outros países, além de organizações internacionais de ciência e saúde. "A Monsanto respeita os rigorosos processos científicos atualmente utilizados pela Anvisa e outras autoridades regulatórias para garantir o uso seguro do glifosato e outros produtos de proteção à lavoura."

Pelo lado comercial, as empresas brasileiras de agroquímicos planejam recorrer da decisão judicial. Silvia Fagnani, diretora-executiva do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), disse que a entidade entrará com um recurso na semana que vem.

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