Sem controle,amarelinho cresce
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de junho de 1997
Cristina Côrtes 
Fotos: Milton DóriaAmeaçaO amarelinho é mais conhecido como planta ornamental, pela suas belezaA falta de informações sobre a praga amarelinho Tecoma stansdificulta seu controle e preocupa pecuaristas, pesquisadores e técnicos do setor agropecuário. A planta, mais conhecida como ornamental, está se tornando um sério problema nas pastagens, principalmente no Norte do Paraná, e ameaçam também as áreas de preservação ambiental.
O alerta foi feito pelos pesquisadores Walter Kranz e Telma Passini, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) que estão lançando nos próximos dias a publicação Amarelinho - Biologia e Controle, com informações completas sobre a identificação da planta, sua disseminação, características e formas de controle.
O pesquisador Walter Kranz informa que a disseminação da praga é rápida e de difícil controle
Segundo Walter Kranz, o potencial de dano do amarelinho é muito grande, podendo chegar a reduzir 100% das pastagens. A planta perene, rústica, tem crescimento muito vigoroso e rapidamente toma conta da área, predominando tanto nas pastagens como em áreas de mata ciliar, comentou Kranz. A praga já está presente em l67 dos 370 municípios do Estado, com infestação em 50 mil hectares de pastagens, dos quais 15 mil hectares estão comprometidos.
OrigemOamarelinho, também conhecido com ipêzinho, e muitas vezes confundido com sabugueiro e santa bárbara, não é uma planta nativa do Brasil. É exótica, originária do México e Sul dos Estados Unidos. Foi trazida para o Brasil como planta ornamental, mas está se transformando em praga.
Segundo Walter Kranz, no seu local de origem ela não é uma ameaça porque as condições climáticas com período de inverno rigoroso com neve, e verão com clima desértico controla sua proliferação. Mas aqui no Brasil, com condições favoráveis, ela se multiplica rapidamente.
Esta planta começou a chamar a atenção dos produtores e pesquisadores há cerca de sete anos, quando surgiram problemas nas pastagens. Solicitados pelos pecuaristas, os pesquisadores iniciaram um trabalho de pesquisa, que resultou agora nesta publicação.
A planta alcança 7 a 8 metros de altura, e se for roçada rebrota e ramifica vigorosamente, produzindo sombra intensa pela sua quantidade de folhas. Outra característica é que sua raiz é bastante desenvolvida, sendo maior que sua parte aérea, o que dificulta o arranquio.
A disseminação através da semente pode levar a planta a quilômetros de distância através do vento, mas sua multiplicação também acontece com pedaços de ramos e raízes.
ControleA pesquisadora Telma Passini, da área de Controle de Plantas Invasoras do Iapar, explica que o combate a esta praga é difícil, e por se tratar de novidade ainda não existem produtos químicos recomendados. Outra limitação é que os órgãos de fiscalização ambiental do Estado consideram o amarelinho como planta de regeneração de vegetação arbórea, não podendo ser arrancada das áreas de preservação.
As pastagens podem ter uma redução de até 100% quando infestadas pelo amarelinho
Telma Passini comentou ter visto numa reportagem de televisão sobre reflorestamento, em outro Estado, um produtor segurando uma muda do amarelinho para ser plantada. A falta de informação sobre esta espécie é uma ameaça às áreas de preservação ambiental, pois se corre o risco de em pouco tempo ela dominar o espaço, expulsando nossas espécies nativas, alerta Telma.
Para áreas ainda não infestadas, a pesquisadora recomenda evitar que a planta seja introduzida como ornamental. Nas pastagens deve-se fazer um bom manejo, evitando que a área tenha partes descobertas do solo que possam receber a semente que vem pelo vento. É bom não permitir também o rebaixamento das forrageiras, para não facilitar a introdução da praga.
Nas pastagens já infestadas e que são mecanizáveis, a orientação é utilizar trator de esteira com lâmina dentada para arrancar as plantas. Depois de arrancadas elas devem ser enleiradas e queimadas, antes de se preparar o solo para fazer o novo plantio.Depois do plantio, o produtor deve fazer visitas periódicas, para eliminar as plantas que conseguiram brotar, reforça.
A preocupação maior é com as áreas não mecanizáveis. Cerca de 30% das pastagens no Paraná são de relevo acidentado e mal manejadas, favorecendo a multiplicação da praga e dificultado seu controle. Nestes locais a alternativa é o controle manual ou químico que ainda não está recomendado oficialmente, diz ela.
Segundo Sandra Mara Pereira de Queiróz, Chefe do Departamento de Recursos Naturais e Fiscalização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o problema do amarelinho ainda está sendo estudado. Mas a príncipio não se recomenda a aplicação de nenhum herbicida.
Para a pesquisadora Telma, o custo de erradicação é alto, e a reinfestação é frequente. O pecuarisrta deve estar consciente de que nenhuma das ações de controle serão eficientes, se o manejo da nova pastegem não for adequado.


