Sem assistência técnica, produtores abandonam o MIP
Pioneiro nas práticas conservacionistas, o projeto de qualidade do ambiente produtivo rural, desenvolvido pela Emater na microbacia hidrográfica do Rio do Campo, em Campo Mourão, também já foi exemplo do uso do manejo integrado de pragas. Entre 1993 e 2003, os cerca de 140 produtores da região, assistidos por um grupo de estagiários do colégio agrícola da cidade, realizaram o acompanhamento semanal das lavouras.
''Sem o compromisso de receber o estagiário e acompanhá-lo pela propriedade, o produtor perdeu o hábito de contar as pragas da lavoura e abandonou gradativamente o manejo integrado de pragas'', lamenta o engenheiro agrônomo Roberto Carlos Guimarães, da Emater.
Outro fator que contribuiu para o fim do MIP na microbacia, segundo o agrônomo, foi o bom momento vivido pela soja há três anos. ''Com a soja em alta, as empresas tiveram facilidade em vender os defensivos. Como o custo do produto era pequeno em relação ao lucro previsto com a colheita, os produtores não economizaram em aplicações preventivas'', assinala Guimarães.
Hoje, a contagem das pragas nas propriedade da microbacia se restringe ao acompanhamento visual feito pelo próprio agricultor. ''A pesquisa provou que esse método não informa o grau correto de infestação, pois normalmente existe o dobro de pragas do que o produtor consegue enxergar'', diz o agrônomo da Emater.
Segundo ele, em parceria com a prefeitura e a Sanepar, a Emater continua soltando as vespinhas produzidas em um laboratório local nos quatro pontos fixos da microbacia. ''Somente com esse controle inundativo é que conseguimos diminuir a incidência do percevejo'', afirma Guimarães. ''Se os produtores continuassem a fazer o MIP, o controle biológico do percevejo seria melhor ainda'', completa. (M.G.)





