Sem assessoria, cafeicultor desistiu
O agricultor Norbert Gamerschlag conta que a área ocupada por seu café ''ecológico'', que recebeu uma recepa no final do ano passado, era de 8 hectares. Para a adubação, ao invés de fertilizantes convencionais, ele utilizava uma compostagem feita na própria fazenda. ''Buscamos adotar uma solução alternativa para todo tipo de ataque que a planta sofria, seja de doença ou de praga'', conta. Nas primeiras safras, de 2001 e 2002, a produção foi boa e animou o produtor. ''Pegamos um preço de US$ 200 a saca (cerca de R$ 550, o dobro do valor da saca do café comum). Porém, nos últimos anos, nossa produtividade veio caindo e, no ano passado, sequer conseguimos vendê-lo como orgânico'', lembra a sua esposa, Cornelia.
Norbert explica que em 2004 a produtividade do seu orgânico foi quatro vezes menor do que no convencional (8 sacas por hectare, contra 40 sacas colhidas no sistema comum) e como houve muita chuva em maio e junho, a maior parte dos grãos caíram na terra, tornando-se inviável a exportação.
Sobre queda na produção, Norbert acredita que o motivo tenha sido erro de adubação. ''Devemos ter errado na parte nutricional, mas não sabemos porque já que nenhum agrônomo da Emater ou do Iapar soube nos orientar corretamente sobre a adubação e controle de pragas no orgânico. Tivemos problema com saúva, por exemplo, e como não podíamos passar produto químico, apanhamos muito'', recorda Norbert. Ele diz que neste ramo cada agricultor trabalha por conta, ''cada um com suas próprias técnicas, sem a referência de um profissional''.
O cafeicultor conta que a fazenda já recebeu visitas de pesquisadores do Iapar, mas apenas para o estudo da incidência de sombra sobre o cafezal orgânico, já que Norbert também plantou mudas de árvores nativas nas ruas do cafezal. ''No futuro, quando a lavoura deixar de produzir, essas árvores formarão uma reserva natural'', vislumbra ele. (J.K.)





