Durante toda sua vida de trabalho na lavoura, o produtor grãos do distrito de Maravilha, Cláudio Aparecido Alves, seguiu a mesma rotina: comprava inseticidas e fungicidas das revendas e aplicava de forma calendarizada, sem a informação exata se era necessário ou não gastar com esse tipo de produto. O que o "vendedor de venenos" sugeria geralmente era a última palavra na propriedade da família.

Porém, desde o ano passado, com o auxílio do Instituto Emater, o agricultor instalou um coletor de esporos e começou a realizar a técnica do pano de batida para identificar possíveis pragas. Com a ajuda do filho, estudante do segundo ano de agronomia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vinícius Machado Alves, a família percebeu que poderia diminuir consideravelmente a aplicação de defensivos durante a safra de soja, realizando apenas quando necessário.

Os resultados são impressionantes. Se antes eram em média 11 aplicações por safra, no ano passado foram apenas duas de inseticida e nenhuma de fungicida, fechando com colheita de 78 sacas por hectare. Este ano, a colheita nas propriedades da família, que totaliza 120 hectares, ainda está em andamento, mas foram apenas uma aplicação de fungicida e uma de inseticida. Uma economia na aplicação de produtos que gira em torno de R$ 30 mil por safra. "A verdade é que a revenda força a comercialização e a aplicação do veneno. Eles vendem uma 'receita de bolo pronta', que muitas vezes não é necessária", comenta Cláudio.

No ano passado, por exemplo, a coleta de esporos não deu nenhum resultado que tendesse para uma infestação da ferrugem da soja. É claro que depois de tanto tempo aplicando o defensivo de forma calendarizada, Cláudio ficou receoso, mas confiou no trabalho do Emater. "A principal diferença é que é preciso entrar na lavoura uma vez por semana e acompanhar de perto todo o processo".

As informações colhidas, inclusive, são enviadas a um grupo de produtores que estão no WhatsApp. "O pessoal todo fica sabendo e trocamos os resultados colhidos aqui com os de outras unidades de referência. Dessa forma, ficamos mais atentos com o que está acontecendo em nossa volta. Daqui pra frente, vamos sempre fazer dessa forma, o que auxilia nossa saúde, o meio ambiente e diminui os gastos significativamente", complementa o jovem produtor Vinícius. (V.L.)

mockup