Sem alternativa para trabalhar
"Se essa importação acontecer vai ser o caos. Não há outra atividade em que os produtores podem trabalhar a não ser com a banana, já que as áreas são pequenas para o cultivo de grãos." É com essa sentença que o bananicultor e presidente da Associação dos Produtores de Bananas de Andirá e Região (Apbana), Wilson Sargi, define todo este cenário de nervosismo que toma conta das áreas de cultivo.
Segundo ele, semear a fruta já é uma alternativa para os produtores com áreas pequenas e de rendimento financeiro inferior quando comparado a outros cultivos, como soja e milho, predominantes no Estado.
Hoje, a associação conta com cerca de 50 bananicultores, com área média de 7 hectares. "Há três anos nós tínhamos cerca de cem associados, mas a geada de 2011 e os preços ruins de 2012 e 2013 fizeram com que muitos não permanecessem na atividade. Os que ficaram conseguiram um reajuste de preços este ano", explica Sargi.
Ele comenta ainda que no final do ano passado os produtores estavam mais atentos a esta questão, mas agora poucos sabem que a instrução normativa foi aprovada e que existe a real possibilidade da importação acontecer. "É uma preocupação de todos os polos produtores, mas o pessoal aquietou, acha que não vai dar em nada. Se isso realmente ocorrer, muitos vão ser obrigados a arrumar empregos na cidade", decreta.
O pico de produção no Norte do Estado é entre abril e agosto, mas o ciclo é anual, sem interrupções. Sargi atua com a cultura em três propriedades, que ao todo somam 31 hectares, com média de produção de 20 toneladas por hectare por ano. "É triste porque a situação voltou a melhorar este ano e a ideia era que 2015 seria ainda melhor. Estou há 20 anos na atividade e já vivenciei muitos altos e baixos e nunca pensei em largar a cultura. Agora, estamos nessa situação indefinida." (V.L.)





