A família Müller – o casal Eloi e Cleide e o filho Alysson - trabalha e mora em uma propriedade de 12 hectares localizada no Distrito da Warta, no cultivo de frutas como morango, uva e maracujá, além de uma pequena agroindústria focada na produção de licores, geleias e vinhos.
De toda área da propriedade, hoje os Müller utilizam apenas quatro hectares, já que não conseguem mão de obra para expandir a produção. Alysson explica que essa situação sempre atrapalhou os negócios da família, mas recentemente a situação parece ter ficado ainda mais crítica. "Antigamente, tínhamos uma outra área com 13 hectares só de uva, hoje temos apenas 0,5 hectare da fruta justamente por essa falta de mão de obra. De vez em quando, conseguimos um diarista, pelo valor de R$ 50 a R$ 60 para trabalhar por oito horas, mas é complicado que alguém faça desse trabalho uma continuidade", relata o produtor.
Na opinião de Alysson, isso acontece devido aos diversos auxílios governamentais oferecidos atualmente para as famílias de baixa renda, o que diminuiria a busca por trabalhos pesados na lavoura. Hoje, o Programa Bolsa Família atinge mais de 13 milhões de pessoas em território nacional. "Aqui na Warta não é difícil encontrar pessoas em bares ou na rua sem fazer nada. Se você convida para o trabalho, não se prontificam para uma capina ou roçagem de uma área. Outros até trabalham, mas logo que conseguem o dinheiro suficiente para comprar algo, já abandonam o emprego rural. É bastante complicado."
Para driblar as dificuldades, só há duas alternativas: o investimento em novas tecnologias e toda a família pegando no batente, mesmo com a idade mais avançada dos pais de Alysson. O produtor lembra que a família adquiriu, ao longo dos anos, equipamentos como perfurador de solo, pulverizador automatizado entre outros itens para facilitar a vida dos três. "Já devemos ter gasto algo em torno de R$ 150 mil em tecnologias para atenuar esses problemas com mão de obra", estima o filho do casal.
Outra alternativa é criar meios alternativos e mais modernos para a produção. Se antes, por exemplo, o cultivo de morangos era feito no solo, hoje está suspenso, facilitando o manejo para a família. Para isso, o investimento foi alto, algo em torno de R$ 135 mil em pouco menos de um hectare. "Se no plantio tradicional uma pessoa é capaz de lidar com 5 mil mudas, com o morango suspenso, esse mesmo trabalhador consegue lidar entre 10 mil e 12 mil pés. A eficiência é muito maior", diz Alysson.
Para o futuro, ele não esconde a preocupação. Com os pais em idade avançada, ele pensa em alternativas para continuar na propriedade, uma paixão, já que bem provavelmente não vai encontrar mão de obra para auxiliá-lo. "Sozinho eu não vou aguentar. Ou diminuo a área ou procuro outra atividade. Já ingressamos na Rota do Café com o objetivo de encontrar alternativas para angariar recursos. O futuro ainda é incerto e isso me dá um aperto no coração", complementa. (V.L.)

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