A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) tem hoje 80 associados com um rebanho de cerca de 3 milhões de animais. Em torno de 30% das criações são destinadas à produção leiteira e, nos últimos anos, esse rebanho tem crescido numa taxa de 45% ao ano. O interesse está na produção da mozzarela de búfala, produto que pode trazer maior rentabilidade à criação.
Atualmente a entidade está trabalhando para ''garantir o uso exclusivo de leite de búfala na produção do queijo mozzarela''. Para isso lançou o Programa Selo Pureza, coordenado pelo professor da Unesp de Jabotical (SP), Humberto Tonhati. O selo é concedido aos produtos analisados na instituição para evitar fraudes e garantir aos consumidores um produto puro.
''O mercado brasileiro está inundado de falsificações de mozzarella de búfala, fabricadas com leite de vaca e que usam produtos químicos para suavizar o gosto e neutralizar o beta-caroteno, que dá a coloração amarelada aos queijos feitos a partir do leite de vaca,'' avisa Humberto Tonhati.
O leite de búfala, segundo Tonhati, tem preço até três vezes superior ao leite de vaca. Essa diferença é resultante do fato de que o Brasil possui, ainda, um pequeno rebanho bubalino e as búfalas produzem menos do que as vacas. Por isso, a mozzarela de búfala legítima não pode ser comercializada por menos de R$ 10,00 por quilo.
Aproveitando-se do desconhecimento do consumidor, que identifica a mozzarella de búfala apenas como queijo branco em formato de bola, e da falta de regulamentação neste segmento, muitos produtores vendem queijo feito com leite de vaca ou com mistura, denominando como mozzarella de búfala, a um preço superior ao produto derivado de leite de vaca, mas inferior ao produto legítimo, e obtém um lucro dessa fraude.
A fraude, lembra o presidente da Associação de Criadores, Rogério Rocha Loures, além de prejudicar o consumidor, desestimula o investimento no aumento da criação de búfalos e da produção de derivados legítimos. Segundo ele, a ABCB foi buscar na Itália tecnologia para manter homogêneos os critérios de produção dos derivados, especialmente o mozzarela.
Rocha Loures garante que os critérios para o selo foram discutidos com técnicos do Ministério da Agricultura e vêm sendo cumpridos pelas 12 indústrias já habilitadas. O presidente da entidade admite que o controle da pirataria é difícil mas lembra que ele deve ser feito a fim de garantir maior rentabilidade até para o país. ''A Itália faz do seu mozzarela um dos principais itens da pauta de exportação. O nosso está chegando a um ponto que nada fica a dever para o produto italiano,'' garante.
O mozzarela puro, segundo Loures, é vendido com um diferencial de 20% sobre o preço de similares do leite de vaca. Para justificar o diferencial há todo um investimento em tecnologia. Segundo o presidente da ABCB não é fácil - por enquanto - encontrar o mozzarela fora de algumas capitais; no interior somente algumas grandes redes de supermercados estão trabalhando com o produto.

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