Seis cultivares novas para o PR
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Cristina Côrtes 
Marcos BorgesComeçoA colheita da safra de verão começa. Produtores e técnicos estão preocupados com as perdasAs novas cultivares lançadas pelo Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSo-Embrapa) para a safra 97/98 são altamente produtivas e resistentes à principal doença que ataca as lavouras brasileiras: o cancro-da-haste. O lançamento foi feito na última quarta-feira pelo Ministro da Agricultura, Arlindo Porto, que esteve em Londrina para lançar também a Campanha Nacional de Redução de Perdas na Colheita do Milho e da Soja, e o Zoneamento Agroclimático para a cultura da Soja no Paraná.
Das 17 novas variedades, seis são recomendadas para o Paraná e as demais são para outras regiões brasileiras, resultado do trabalho conjunto com empresas estaduais de pesquisa e empresas privadas. A Embrapa vai conseguir, com a recomendação dessas novas cultivares resistentes ao cancro-da-haste, diminuir o avanço e a incidência dessa doença, que se alastrou rapidamente pelo Brasil, causando um prejuízo superior a R$ 300 milhões desde quando apareceu (88/89).
Segundo o Chefe do CNPSo, José Francisco Ferraz de Toledo, o desenvolvimento destas variedades foi feito em tempo recorde pelos melhoristas. Além dos ganhos globais dessas novas cultivares em potencial de produtividade ( com condições de alcançar até 3 mil quilos por hectare) e em estabilidade de produção e de renda para o setor agrícola, estes materiais destinados à região Sul contribuirão para a implantação de sistemas de diversificação agrícola, em função dos diferentes ciclos de maturação e da ampliação da época de semeadura.
Alberto Portugal, presidente da Embrapa: pequenas diferenças podem significar muito para o produtorDisponibilidade de sementesO chefe do CNPSo informou que já para a próxima safra de verão, haverá disponibilidade de sementes destas novas variedades para todos os interessados. Produtores de sementes já estão sendo orientados pelos pesquisadores, e acredito que não teremos problemas com falta de sementes, diz Toledo.
As novas variedades, que estarão no mercado em 97/98, para o Paraná, são: Embrapa 48, Embrapa 58, Embrapa 59, Embrapa 60, Embrapa 61 e Embrapa 62. As outras, recomendadas para o resto do Brasil, são: Embrapa 64 (Ponta Porã) e Embrapa 65 (Itaporã), destinadas ao plantio no Estado de Mato Grosso do Sul; BR/IAC-21, para Minas Gerais, Mato Grosso e Tocantins; BR/EMGOPA-314 (Garça Branca), para Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Bahia e Roraima; MG/BR-48 (Garimpo RCH), para Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal; MT/BR-49 (Pioneira), MT/BR-51 (Xingu), MT/BR-52 (Curió) e MT/BR-53 (Tucano), para Mato Grosso e MT/BR-50 (Parecis) para Mato Grosso e Bahia.
O lançamento de novos materiais com caraterísticas de maturação precoce e média, para os cerrados do Planalto Central brasileiro contribui para a diversificação da agricultura daquela região, uma vez que viabiliza a integração da soja com culturas de outono-inverno.
Na mesa, o Ministro Arlindo Porto e outras autoridades, no lançamento das novas cultivares
Controlar as perdasO presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Alberto Duque Portugal, falou durante seminário no CNPSo, sobre a importância da redução de perdas na colheita, destacando que pequenas diferenças podem significar a continuidade de um produtor no mercado.
Como os preços dos produtos e dos insumos fogem do controle do produtor, a única maneira de reduzir os custos é racionalizar o uso de insumos e colher mais, disse Portugal. Daí a preocupação do Ministério da Agricultura em estender a campanha de redução de perdas para todo o País. O Paraná é pioneiro neste tipo de campanha, tendo incentivado os operadores de máquinas a participar através de concursos estaduais e municipais, com boas premiações.
Este trabalho de conscientização da importância de controlar perdas era feito somente na soja, e agora será ampliado para outras lavouras como milho, arroz feijão e trigo. Todas estas culturas têm potencial significativo para reduzir perdas, comentou Portugal.
Mas não é só na colheita que acontecem os desperdícios. O transporte e o armazenamento de grãos também são responsáveis por perdas importantes. No Paraná os levantamentos mostram assim os índices de perdas. Na soja, dos 10% de perdas que ocorrem, 5% são na colheita, 2,7% na armazenamento e 2,4 no processamento. No arroz, 12,6% das perdas acontecem na colheita, 7% no armazenamento e 2,4% no processamento, num total de 22% de perdas. No trigo, a colheita responde por 4,3% de perdas, 2,9% no armazenamento e 2% no processamento.
O novo copo medidor poderá ser usado também para arroz, e quantidade de água
RecursosO Ministério da Agricultura vai fazer avaliação e testes de máquinas para verificar se os equipamentos oferecidos hoje ao produtor são realmente adequados às condições de plantio do Brasil. Outro compromisso do Ministério com a redução de perdas é o incentivo aos aspectos técnicos.
Recursos serão destinados ao treinamento de técnicos e produtores, num valor de R$ 22,00 por tonelada de grão colhido. No total serão aplicados R$ 375 mil no trabalho dos extensionistas da Emater junto aos produtores e no treinamneto dos operadores de colheitadeiras.
No Brasil os desperdícios ocorrem em quase todas as outras culturas. No ano passado o Brasil teve um prejuízo de R$ 1,6 bilhão com perdas de milho, arroz, soja, trigo e feijão, e mais R$ 1,03 bilhão com perdas em frutas e verduras.


