Seguro rural ainda é embrionário no País
Para amenizar as perdas com a geada, muitos produtores já acionaram o seguro. O recurso, segundo especialistas da área, ainda é limitado, principalmente porque no Brasil, a modalidade só cobre custeio, enquanto que em países como os Estados Unidos, a subvenção também protege o produtor contra quebra de produtividade e também de preços. Vitor Ozaki, professor do departamento de economia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), explica que o uso do seguro rural brasileiro ainda é recente.
O especialista conta que o Brasil começou a trabalhar com seguro rural de forma mais efetiva a partir de 2003. Porém, lembra Ozaki, seu crescimento foi limitado nos últimos anos por causa do baixo orçamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "Ainda estamos na fase embrionária do seguro agrícola, que abrange principalmente custeio associado ao crédito rural", observa o professor.
Segundo ele, o seguro de receita, praticado nos Estados Unidos, deveria ser aplicado em regiões com elevado risco climático, como ocorre no Paraná e no Rio Grande do Sul. Ozaki afirma que apenas duas empresas privadas de seguro oferecem esse tipo de serviço no Brasil, que ainda está em fase de teste. O professor completa que os produtores brasileiros necessitam de um sistema que possa proteger melhor o setor.
"Se é oferecido ao produtor um crédito, a sua lavoura tem que ser protegida." Para melhorar o sistema de seguro rural, Ozaki sugere que órgãos como o Mapa, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Banco Central (BC) trabalhem em conjunto para traçar estratégias que melhorem o sistema de seguro rural. O especialista salienta que não deve haver competição ou sobreposição de programas dessas instituições.
Ozaki estima que a área plantada que obtém seguro rural no Brasil fica entre 10% e 15%, enquanto nos EUA esse percentual salta para 90%. "Há um desafio de interesse político. Lá (EUA), o governo gerencia e fiscaliza o sistema de seguro rural, sendo tudo feito pelo governo", salienta.
Subvenção
Até a semana passada, em todo o País, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) registrou 6,6 mil apólices de seguros contratados com subvenção federal, com utilização de recursos da ordem de R$ 44,8 milhões para a cultura do trigo. A receita, segundo dados do governo, é 65% superior ao total contratado no ano de 2012 para o cereal. (R.M.)





