Segurança jurídica garante relação amistosa na fumicultura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de abril de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Outra atividade que conta com um sistema forte e consolidado de integração é a fumicultura. Os estados responsáveis por praticamente toda a produção brasileira são Rio Grande do Sul (51% do total), Santa Catarina (29%) e Paraná (20%). No ano passado, a produção neste eixo foi de 695,8 mil toneladas de tabaco, totalizando 153,7 mil produtores em 308,2 mil hectares.
O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, comenta que praticamente todos os fumicultores são integrados de diversas empresas de todos os portes, sendo a principal delas a Souza Cruz, que atua em diferentes fases do processo. Ele comenta que o relacionamento entre as grandes players internacionais e os produtores tem sido amistoso. "Como em qualquer atividade, existe a lei de oferta e demanda. No ano passado, por exemplo, a oferta estava grande e a qualidade do tabaco, devido à estiagem, não foi das melhores. Como nosso produto é destinado a dar sabor ao cigarro, acabamos recebendo um valor menor. Houve, inclusive, protestos em frente a algumas empresas no Rio Grande do Sul", explica Werner.
Neste ano, entretanto, com a demanda alta das empresas e a melhor qualidade do tabaco, os preços já subiram 35% para a qualidade Virgínia e 40% no caso da Burley. "Eu acredito que essa nova legislação será importante para regular ainda mais esse relacionamento entre empresas e fumicultores. Com o sistema normatizado, fica claro o papel de cada um e, se alguém tiver prejuízos, nós já sabemos em que instância recorrer e como proceder", complementa.
Do lado patronal, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke, comenta que o modelo de integração da atividade tem se atualizado e servido de exemplo para outros países. "Não temos grandes problemas com os produtores, mas esta nova lei gera um marco legal e segurança jurídica para todos os lados."
Schünke relata ainda que o Sinditabaco criou diversos programas junto aos produtores, para tratar de segurança, preservação de mata nativa, produção sustentável, luta contra mão de obra infantil, entre outras ações. "Como tudo isso é feito de forma conjunta, gerou uma discussão sadia ao longo dos anos e toda essa maturidade do sistema (de integração). Tudo isso traz vantagens para as empresas e para os produtores. Não por acaso somos o segundo maior produtor e o principal exportador de tabaco do mundo", completa o presidente do Sinditabaco.


