Garantir à população o acesso regular a alimentos de qualidade, com base em práticas alimentares saudáveis e um sistema de produção justo e sustentável. Para o professor Renato Maluf, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, esse deve ser o objetivo das políticas públicas que visam conseguir segurança alimentar. Segundo ele, tal meta pode ser atingida através de ações locais determinadas a partir de discussões envolvendo diferentes setores da sociedade.
O especialista participou em Londrina, na semana passada, do Primeiro Fórum Municipal de Segurança Alimentar, proferindo palestra sobre o tema. ''A realização deste evento, por exemplo, é o primeiro passo para estimular a criação de políticas eficientes no município'', disse.
Diretrizes Renato defende que embora existam fatores que dificultem a garantia da segurança alimentar em nível nacional, como por exemplo a baixa renda de grande parte da população, que impede muitas pessoas de comprarem quantidades suficientes de alimentos, o investimento em políticas locais permanentes pode amenizar o problema.
Ele estabeleceu cinco diretrizes que devem nortear essas ações públicas. A primeira delas diz respeito à produção de alimentos de forma equitativa, ou seja, em pequenas propriedades, garantindo oportunidades de renda aos produtores menores. Outro item fundamental é permitir o acesso de todas as camadas sociais a alimentos de qualidade. Ele também defende a instituição de programas que promovam a educação alimentar e a defesa dos direitos dos consumidores, oferecendo a toda a população o direito de se informar.
Segundo o professor, os programas dirigidos a grupos populacionais específicos, como por exemplo o aleitamento materno, a distribuição de cestas básicas e a merenda escolar devem concentrar componentes educativos que estimulem a organização e a emancipação dos grupos envolvidos. No caso da merenda escolar, ele orienta o poder público a utilizar produtos locais no programa, para estimular nas crianças o hábito de consumir alimentos produzidos na região.
A última diretriz trata do envolvimento da sociedade civil na formulação e implementação das políticas de segurança alimentar. Maluf avalia que a decisão sobre as ações necessárias não pode ser apenas do poder público.''Envolver a sociedade é uma forma mais democrática e transparente de conduzir o processo'', opinou.
Caminhos Renato Maluf acredita ser preciso concentrar as iniciativas de garantia da segurança alimentar, que segundo ele tendem a serem dispersas. Em Londrina, conforme explicou o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Nilson Ladeia, as secretarias da prefeitura costumam agir separadamente para combater fome. ''Essas ações seriam mais eficientes se fossem reunidas'', disse.
Maluf acrescentou que as políticas de segurança alimentar precisam ser voltadas para pequenas propriedades. ''É importante estimular os produtores a desenvolverem ações diferenciadas que agreguem valor à produção'', analisou. O investimento na produção orgânica, na agroindustrialização e na diversificação da produção são algumas opções para aumentar os rendimentos dos agricultores. O problema da comercialização dos produtos agrícolas, que muitas vezes envolve atravessadores que ficam com a maior parte do lucro, também é uma questão de segurança alimentar. ''O problema afeta principalmente os pequenos. O desafio é construir um mercado para esse setor'', comentou.
De acordo com o especialista, os agricultores precisam se preocupar com as novas tendências de consumo, pautadas pela exigência de qualidade. ''As oportunidades estão na produção diferenciada'', defendeu, lembrando que às políticas públicas, cabe desenvolver ações para qualificar o produtor. Ele considera que para vencer essas barreiras, a associação de produtores também é fundamental. ''As iniciativas de mais sucesso são aquelas centradas em algum grau de associativismo, tanto na produção como na transformação'', analisou.

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