Segunda safra recorde à vista
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sexta-feira, 07 de agosto de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
As chuvas que iniciaram no final de junho e seguiram intensas até meados de julho assustaram os produtores de milho segunda safra do Paraná. Entretanto, após o período crítico veio a bonança e a expectativa é excelente em relação à comercialização e à colheita no Estado, que segue em ótimo ritmo. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apontam para uma área colhida que já ultrapassa 50%, com a região Sul finalizada, a Oeste bem adiantada e a Norte um pouco mais atrasada justificada pelo plantio mais tardio.
A área plantada com milho no Estado ficou em 1,91 milhão de hectares na safra 2014/15, aumento de 1% frente ao 1,89 milhão de hectares da safra passada. A produção está estimada 11 milhões de toneladas - alta de 6% ante aos 10,36 milhões de toneladas - um volume recorde em toda a série histórica. A produtividade do que já foi colhido também tem se mostrado excelente, acima dos 6 mil quilos por hectare (kg/ha). A estimativa do Deral é que feche em 5,6 mil kg/ha, alta de 16% em comparação ao período anterior. "A nossa expectativa é que a produtividade feche pelo menos 7% acima do ano passado", prevê o técnico do Deral para a cultura de milho, Edmar Gervásio.
Ele explica que a chuva constante em julho atrapalhou mais a região Oeste, que estava com a colheita adiantada, principalmente no que diz respeito ao impedimento do agricultor entrar na lavoura e fazer os tratos culturais ou a colheita das áreas mais avançadas. "Já na região Norte, como a colheita acontece mais tarde, as chuvas foram até benéficas aos produtores e devem auxiliar numa melhor produtividade", diz Gervásio. Na região Norte, a expectativa do Deral é de que a produtividade fique em 5,3 mil kg/ha. No Oeste, a média é de 6,6 mil kg/ha, com algumas cidades ultrapassando a marca de 7 mil kg/ha.
Apesar da produtividade excelente, alguns agricultores poderão ter problemas com qualidade dos grãos. Gervásio comenta que houve um aumento do nível de grão ardido (fungos) nas lavouras, devido ao maior grau de umidade. "Aumentou essa incidência, mas não acredito que seja um volume significativo. A qualidade ficou um pouco menor em alguns casos, mas não acredito que afete os preços", relata o técnico do Deral.
Aliás, os valores estão até mais atrativos. Nas últimas semanas, a alta no valor da saca de 60 kg foi de 15% e o preço pago ao produtor chegou a atingir R$ 21,30. No mês de julho, a média foi de R$ 20,74, alta de 12,47% ante aos R$ 18,44 do mesmo período do ano passado. "O preço deu uma boa recuperada, principalmente no mercado internacional. De acordo com o último levantamento do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o estoque mundial teria uma queda de 12 milhões de toneladas, o que estimulou essa recuperação. O cenário está extremamente otimista, com produção recorde e estimativa de preços interessante", complementa.



