A última colheita brasileira do Século 20 está produzindo 85,2 milhões de toneladas de grãos e a previsão da primeira colheita do Século 21, a safra 2000-2001, será anunciada no final de setembro ou começo de outubro, mas a área deverá repetir a última deste Milênio, de 37,6 milhões de hectares. Técnicos acreditam que a produção ficará em torno da atual, devido à descapitalização dos lavradores em decorrência das secas e geadas deste ano agrícola. Não há dúvida, porém, que está chegando uma nova era para a agricultura.
Essa nova era exigirá do agricultor uma visão geral do agronegócio porque, embora seja competente no seu ramo, ele precisará ter noção do que ocorre além dos campos de sua propriedade. Este é o ponto-de-vista, por exemplo, do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), Iwao Miyamoto, e do presidente da Fundação Meridional, Geraldo Fróes. Ambos são agrônomos e empresários bem-sucedidos.
AperfeiçoamentoMiyamoto, presidente da Abrasem, diz que o agricultor brasileiro sabe produzir. Agora, diante da globalização das atividades humanas, entre elas a agricultura, precisa conhecer melhor o que acontece com sua produção fora da porteira da fazenda. Fróes destaca os resultados das pesquisas voltadas para melhorar a produção. Entre os resultados, a redução dos gastos com sementes. Há alguns anos eram usadas cinco sacas de 50 quilos por hectare; hoje bastam duas sacas e meia/ha.
Em vez de cair, a produtividade aumentou nos últimos três ou quatro anos para até 61 sacas de 60 quilos por hectare, no campo do sementeiro, e chegou à produtividade nacional média de 53 a 57 sacas por hectare. Por esses e outros resultados das pesquisas, que têm proporcionado aumento de produtividade também de outros gêneros agrícolas, ele sugere que, a partir da safra 2000-2001, os pesquisadores dêem ênfase ao desenvolvimento dos agricultores nos componentes gerenciais e comerciais do agronegócio – desde como se lida no mercado interno aos caminhos do mais complexo mercado externo.
Plantio diretoPara os pesquisadores do Iapar, Rui Casão Júnior e Augusto Guilherme de Araújo, ambos da área de Engenharia Agrícola e especialistas em Mecanização, o grande avanço da agricultura nos últimos 30 anos e o maior legado para o Século 21 é o sistema de plantio direto. A aplicação do sistema no Brasil começou há mais de 30 anos, mas este ‘‘é o momento’’, quando está se expandindo no Brasil e em outros países – o Iapar tem recebido técnicos estrangeiros que vêm buscar informações para mais tarde as difundirem em seus países.
Para Casão, o p.d. é a síntese do preservacionismo em um país tropical. Além da palha que deixa no campo e protege o solo da erosão, diminui o revolvimento e a compactação da área pela maquinaria, reduz a necessidade de insumos como herbicidas e outros agroquímicos. Menos uso de máquina significa menor gasto de combustível. Ao melhorar o solo, o p.d. faz cair o custo de produção, aumentar a produtividade e torna mais competitivo o produto nacional.
Eletrônica embarcadaCoisa nova, tecnologia de ponta, a eletrônica embarcada é outro ‘‘legado’’ da agricultura do Século 20 ao Terceiro Milênio. Porém, ainda há dúvidas a respeito da utilidade econômica desse sistema, devido a sua complexidade e alto custo.
O termo ‘‘eletrônica embarcada’’ é aplicado no conjunto de sensores e outros instrumentos da eletrônica instalados nas máquinas agrícolas. Esses instrumentos detectam teor de água no solo, carência ou disponibilidade de elementos importantes, como micronutrientes; onde eles estão faltando ou tem algum em excesso. Os instrumentos informam até a quantidade de adubos e agroquímicos que a máquina – conduzida pelos sensores – deve aplicar.
Os engenheiros-pesquisadores Rui Casão e Augusto Guilherme duvidam se esse uso da eletrônica vai aumentar no começo do próximo século, pois o interesse pela novidade parece ter diminuído: o arrefecimento da curiosidade em torno da ‘‘eletrônica embarcada’’ foi visto na Agrishow, uma feira de alta tecnologia agrícola promovida pela Unicamp todos os anos em seu campus de Ribeirão Preto, SP. Augusto lembra que em 1998 e 1999 os equipamentos eletrônicos instalados em algumas máquinas expostas ao público atraíram muitos produtores interessados em saber como aquilo tudo funcionava; as vantagens que as novidades ofereciam. Neste ano pouca gente se interessou. A razão é que a maioria dos equipamentos não se transformou imediatamente em lucros ‘‘quando os ganhos estão deprimidos.’’

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