O secretário da agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, fez hoje sua primeira visita a Londrina após o anúncio mais polêmico da pasta neste início do novo governo Ratinho Junior (PSD): a aglutinação em uma única empresa os serviços prestados pelo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) e CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia).

Ortigara se reuniu pela manhã com lideranças políticas da região na Sociedade Rural do Paraná (SRP), incluindo o presidente da entidade Antônio Sampaio, além dos novos diretores do Iapar, entre outros representantes da região. Na pauta da reunião, além da fusão do Iapar e enxugamento da máquina pública, a febre aftosa, ExpoLondrina, entre outros assuntos do agro paranaense. Depois, a comitiva se reuniu com o prefeito Marcelo Belinati.

Em entrevista exclusiva à FOLHA, Ortigara anunciou a criação de um grupo de trabalho com 12 pessoas para examinar "exaustivamente o quadro, a legalidade, o modelo e as vantagens e desvantagens" da criação dessa empresa única do agro. "Baixei (essa semana) a resolução criando esse grupo dando prazos para começar a estudar os próximos passos. É um grupo de trabalho formado com três pessoas do Iapar, três da Emater, dois da Codapar, um do CPRA e mais dois da agricultura (secretaria). Vamos examinar o quadro e fazer o primeiro rascunho. Teremos o apoio da FDC para examinar exaustivamente (o trabalho) e se isso for palatável, aí sim transformar em projeto de lei", projetou. Antes, ele disse que vai abrir a discussão desse estudo do grupo para a sociedade, federações, sindicatos e cooperativas.

O diretor de pesquisa do Iapar, Rafael Fuentes Llanillo relata que o grupo vai receber as primeiras orientações na próxima segunda-feira (21), quando farão uma reunião de estreia dos trabalhos no gabinete da Secretaria da Agricultura (Seab), em Curitiba. "Serão 30 dias intensos, em que eles conhecerão as experiências (de fusão) de outros estados e ver quais são as potencialidades e limitações (de cada uma). Assim será montado uma matriz de restrição e oportunidades."

Na opinião de Fuentes, que fez parte do quadro de pesquisadores do Iapar por muitos anos e se aposentou recentemente, hoje existe uma carência de mudanças na gestão do instituto que está fazendo falta por muito tempo. "Precisamos alinhar prioridades, diminuir a dispersão de nossas ações, reforçar as prioridades que vêm da sociedade, do plano de governo e de uma própria análise interna. A partir desse mapa temos que pensar nosso futuro."

Por fim, o secretario projetou que tudo estará encaminhado até o fim do primeiro trimestre. "Ao ter o grupo constituído, não é para 'fazer de conta'. Vou trabalhar nessa direção, à principio não temos porque não (acontecer a fusão), o cenário é importante e vislumbramos chance de potencializar isso. Haverá um exaustivo exame jurídico, técnico, como trazer dinheiro da federação para pesquisa... Se teremos êxito ou não, é outro papo."

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