Há quase um mês sem chuva, a região de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado, vive uma situação crítica no abastecimento de água. A seca vem atingindo todos os setores, mas a produção agropecuária é que mais está sentindo os efeitos. Além das perdas nas lavouras de soja, feijão e milho, pequenos produtores poderão ter dificuldades em continuar com pecuária de corte e de leite. A estimativa é que produtores de leite já registrem uma queda de 30% na produção.
Segundo o diretor do Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Franscisco Beltrão, Joanes Vinaga, ainda não foi possível fazer um quadro geral da situação no município. Porém, ele avalia que mais da metade dos produtores rurais esteja enfrentando dificuldades com a seca. De acordo com ele, das cerca de 3 mil propriedades rurais de Francisco Beltrão, 2 mil são de produtores de leite que estariam sofrendo grandes prejuízos. ''A maioria é formada por pequenos produtores, com propriedades médias em torno de 20 hectares, cuja produção de leite é a principal fonte de renda'', diz.
De acordo com Vinaga, a produção está comprometida por causa das pastagens secas. ''Enquanto que com outras criações como suinocultura e avicultura é possível bombear água de distâncias maiores, o produtor de leite não tem alternativas a não ser a chuva. A irrigação é inviável'', analisa. O município, segundo ele, tem cerca de 700 aviários e mais de 100 suinocultures que, de uma forma ou de outra, ainda estão conseguindo manter a atividade através de poços alternativos.
De acordo com Vinaga, a prefeitura está fazendo o possível para minimizar a situação atendendo solicitações dos produtores para abertura de nova fontes de água. Além disso, também está fazendo uma série de reuniões com produtores para apontar a necessidade da preservação da mata ciliar e proteção de fontes, nascentes e córregos. ''Nós estamos demonstrando que as nascentes mais protegidas são as que estão com melhor nível de água, tentando dessa forma conscientizar para que, no futuro, essa situação que vivemos hoje não se repita'', afirma. A prefeitura também desenvolve, segundo ele, programas de recuperação de pastagens. ''Porém, são atividades a longo prazo, que, infelizmente, não vão modificar o quadro atual'', assinala.
O avicultor e suinocultor Irineu Wessler nunca enfrentou um período de seca tão intenso em sua propriedade, de 52 alqueires, em Francisco Beltrão. A principal fonte de água da propriedade secou por completo. Com um gasto médio de 15 mil litros de água por dia para atender 20 mil aves e 1.200 porcos, ele está tendo que utilizar fontes secundárias para dar conta da produção. ''Em 30 anos de atividades, nunca tinha acontecido isso'', declara. Segundo ele, por enquanto está sendo possível administrar a situação mas ''se não chover logo, a coisa vai ficar feia''.
Para ele, a solução só é possível a longo prazo, com a reposição da mata ciliar e um trabalho consciencioso de proteção das águas. ''A prefeitura está ajudando os produtores cedendo máquinas para perfuração de poços, mas isso não está resolvendo a situação porque o lençol freático está muito baixo'', conta. De acordo com ele, pode acontecer no Paraná o que vêm acontecendo no Rio Grande do Sul, onde a seca se estende há mais tempo. ''As partes mais secas no Estado são as que foram mais desmatadas para plantio. E se a gente não reverter isso, a situação só tende a piorar'', aponta.

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