Jota Oliveira
De Londrina
Enquanto a colheita aumenta, os preços para o agricultor começam a estacionar ou baixar. Esta é a tendência geral, como na safra de qualquer produto: os preços estacionam e depois caem. No meio da semana (quarta-feira) em Londrina, o agricultor recebia ofertas de R$11,00 a R$11,30 e o mercado era firme, porém na maioria das praças do Norte do Estado o mercado era estável, variando de R$11,00 a R$11,30 em Maringá; R$11,00 a R$11,50 em Cornélio Procópio e R$11,00 a R$11,80 em Apucarana.
Algumas observações confirmam o comportamento dos preços vinculados à oferta da prdução: sexta-feira, no fechametno do mercado da semaana passada, a saca do milho para o produtor era comprada de R$11,50 a R$11,80 em Londrina; R$11,20 a R$11,50 em Maringá; R$11,00 a R$11,20 em Cornélio Procópio; de R$11,80 a R$12,00 em Apucarana.
Plantio e produçãoNo Estado foram plantados, nesta safra, 1,54 milhão de hectares, e se espera colher agora 5,2 milhões de toneladas (a previsão anterior era de 5.597.000, contra 5.806.000 t na safra 98-99, o que, se for confirmado, significará quebra de 5% na colheita), com produtividade média de 3.380 kg/ha em vez dos 3.932 kg/ha previstos inicialmente. O levantamento foi feito por técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Devido aos baixos estoques, o produtor de milho tem sido bem remunerado, mas com a intensificação da colheita, os preços devem ser reduzidos em relação aos praticados atualmente. Nos últimos três meses, diz a Seab, os produtores recebem até R$11,30 a saca, em algumas regiões, mas eles chegam até a R$11,80 a saca. Apesar do milho novo estar chegando ao mercado, é um produto escasso. Isto indica que não deve haver grandes quedas das cotações, seeegundo a Seab.
Segundo a engenheira-agrônoma Rossana Catie Bueno de Godoy, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, as regiões mais afetadas pela seca foram o Norte do Praná, o Centro-Oeste e o Noroeste. A falta de chuva diminuiu o aumento que se esperava na área cultivada, e reduziu o potencial produtivo das lavouras em 14%.
CustoO custo de produção do milho convencional paranaense, segundo cálculos do Deral, era R$8,8 em setembro de 1998 (quando começava o plantio da safra 98/99) e, em setembro do ano passado, subira para R$10,5 devido à defasagem cambial. Hoje o mercado está pagando ao produtor até R$11,50 a saca, o que significa uma rentabilidade de 10%, calcula a engenheira-agrônoma.
Ela considera, ao fazer esses cálculos, apenas o custo operacional direto e variável, somando depreciação de máquinas, benfeitorias, equipamentos, seguros e mão-de-obra. Só não entra nas contas a remuneração da terra.
Em razão do alongamento do plantio da soja, devido à seca (era para ser semeada até meados de dezembro, foi até o final do mês). Mas, ainda, a área da safrinha pode aumentar. Vai depender de quando sair a soja.
Déficit‘‘O balanço de oferta e demanda estadual indica que no ano passado houve um deficit de 603 mil toneladas de milho, complicando algumas atividades pecuárias. O restante do Brasil enfrenta o mesmo problema, uma vez que o abastecimento do cereal vinha sendo feito, em parte, com milho argentino e americano. Com a desvalorização cambial as importações tornaram-se mais caras, abrindo espaço para o produto nacional’’, analisa Rossana.
Em dezembro o estoque final de milho no Brasil era calculado pela Conab em 467.000 toneladas, para um consumo de 35 milhões de toneladas. Portanto, o mercado está aquecido, e as perspectivas ainda são boas para os produtores de milho.
No último mês de 1999 a Conab previa que o Brasil semearia, nesta primeira safra do ano, 9.856.500 hectares, contra 9.786.500 na safra anterior. A produtividade deveria subir de 2.735 kg/ha para 2.747 kg/ha (no Paraná, cai de 3.770 para 3.580 kg/ha) e a produção alcançaria 27.076.500 milhões de toneladas, contra 26.765.800 toneladas no período 98/99.